Kumba Ialá

Político e governante guineense, nascido a 15 de março de 1953, em Bula, na região do Cacheu, na então Guiné portuguesa, chegou a presidente da Guiné-Bissau em 2000, tendo estado em funções até ser deposto em 2003.
Kumba Ialá nasceu no seio de uma família de agricultores de etnia balanta, maioritária na Guiné-Bissau. O barrete vermelho de lã que costuma usar é um sinal que distingue os iniciados da sua etnia.
Ainda na adolescência tornou-se militante do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que na altura combatia militarmente o domínio colonial português. Já mais tarde, Kumba Ialá fez parte dos seus estudos em Portugal, tendo concluído a licenciatura de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa e a de Teologia da Universidade Católica. Entretanto, em Bissau estudou Direito. Depois de terminar os estudos foi professor de Filosofia.
Em 1990, exigiu reformas democráticas no PAIGC, entrou em rutura com o partido e acabou por ser expulso. Em março de 1991 foi um dos fundadores da Frente Democrática Social, mas saiu no ano seguinte para criar o Partido da Renovação Social (PRS), do qual assumiu a liderança.
Em 1994, Kumba Ialá concorreu às primeiras eleições presidenciais multipartidárias da Guiné-Bissau, mas ficou em segundo, atrás de Nino Vieira. Na segunda volta, Kumba Iala somou perto de 48 por cento dos votos.
Entretanto, após um período de guerra civil que originou a deposição de Nino Vieira, em novembro de 1999 realizaram-se novas presidenciais. Na primeira volta, Kumba Ialá bateu o presidente interino da Guiné, Malam Bacai Sanhá. A 17 de fevereiro de fevereiro de 2000 ganhou a segunda volta com 72 por cento dos votos. No entanto viria a adotar medidas polémicas, aglomerando cada vez mais poder, o que o fez perder grande parte do apoio popular de que usufruía.
A 14 de setembro de 2003 teve lugar um golpe de estado, liderado pelo general Veríssimo Correia Seabra. Três dias mais tarde, Kumba Ialá anunciou a sua renúncia e passou a estar em prisão domiciliária, da qual saiu antes das eleições legislativas de março de 2004. Apesar de estar proibido de participar em atividades políticas, foi autorizado a participar na campanha eleitoral. O seu partido, o PRS, foi o segundo mais votado.
Em março de 2005, apesar proibição de participar em atividades políticas, anunciou a candidatura às eleições presidenciais de junho desse ano. Entretanto, com o intuito de recuperar o poder, em maio liderou um grupo armado que durante quatro horas ocupou o palácio presidencial
Nas presidenciais acabou por ficar em terceiro lugar e apoiou Nino Vieira na segunda volta, que veio a vencer as eleições.
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