Lancelot

Lancelot du Lac (também conhecido por Lançarote do Lago, Lancelote ou Lanzarote), personagem do ciclo bretão, foi o mais famoso dos cavaleiros da Távola Redonda e um modelo de guerreiro, apesar de psicologicamente atormentado. As suas aventuras são narradas por Chrétien de Troyes no romance Lancelot ou le Chevalier à la Charette (escrito por volta de 1170).
Filho de Helena e de Ban, reis de Benoíc, em França, Lancelot du Lac fora levado pela fada Viviana, a Dama do Lago (daí o seu sobrenome), para Inglaterra. Esta educou-o e apresentou-o na corte do rei Artur, aos dezoito anos, onde foi ordenado cavaleiro no dia de Pentecostes. Dotado de grande coragem e nobreza, realizou notáveis proezas tanto durante a Demanda do Graal como nos torneios das reuniões da Távola Redonda. A vida de Lancelot foi marcada pela sua paixão por Guinevere, esposa do rei Artur, com quem manteve uma relação amorosa. Esta história de amor também faz parte do mito do Graal. Segundo a lenda, Lancelot era hóspede de Peles, o guardião do Graal. Este faz-lhe crer que Guinevere ia ao seu castelo e, por artes mágicas, disfarçou a sua filha Elaine de Corbenic, fazendo crer a Lancelot que esta era Guinevere. Lancelot dormiu com Elaine e desta união nasceu Galahad (ou Galaad ou Galaaz), o cavaleiro casto, escolhido para encontrar o Graal que tinha sido negado a Lancelot pelo seu adultério. Peles urdiu toda esta trama para se assegurar de que o cavaleiro destinado a encontrar o Graal tinha o sangue de José de Arimateia. Mais tarde, Galahad provou ser o escolhido, pois foi o único capaz de se sentar no Siege Perilous (Lugar Perigoso) da Távola Redonda, o lugar destinado àquele que encontraria o Santo Graal.
O amor de Lancelot e Guinevere, desconhecido na corte durante muito tempo, foi revelado por Mordred, filho ilegítimo do rei Artur, e por Agravain, irmão de Gawain (ambos filhos do rei Lot e de Morgana, irmão do rei Artur), levando Artur a condenar a rainha por traição e infidelidade. Para a libertar, Lancelot travou um combate durante o qual matou Gareth, o irmão mais novo de Gawain, e muitos outros cavaleiros. Lancelot levou Guinevere para o seu Château de la Joyeuse Garde (Castelo Feliz Guarda), dando assim origem à cisão da Távola Redonda. Guinevere voltou para Artur e Lancelot partiu com os cavaleiros que o seguiram para França, onde pretendeu fundar uma corte rival à de Artur. Este mobilizou um exército que atravessou a Mancha, a fim de continuar a guerra, pois a paz nunca era restabelecida, já que Gawain, sempre movido pelo ódio a Lancelot, que matara o seu irmão, impedia qualquer tentativa de reconciliação. Um dia enfrentaram-se em combate e Lancelot, em lembrança da antiga amizade, poupou a vida a Gawain. Durante a ausência de Artur, o seu filho, Mordred, tentou apoderar-se do poder. Artur regressou rapidamente à Grã-Bretanha para combater os rebeldes. Todos morreram no campo de batalha, exceto Lancelot, e os cavaleiros Lionel, Bohor e Heitor. Após esta última batalha, Lancelot despediu-se de Guinevere e retirou-se para o Ermitério de Glantonbury com os seus companheiros, onde veio a morrer, tendo sido enterrado no seu Château de la Joyeuse Garde (Castelo Feliz Guarda).
A personagem de Lancelot, provavelmente com origem em algum mito irlandês ou bretão, não aparece referenciada nas fontes do país de Gales, nem na obra de Geoffrey of Monmouth. É mencionada pela primeira vez no livro de Chrétien de Troyes e, posteriormente, em obras referentes a este tema. A vida da personagem foi também abordada no cinema através de Lancelot do Lago (de Robert Bresson, 1974) e de Lancelot - o Primeiro Cavaleiro (de Jerry Zucke, 1995).
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