Latrão V

Décimo oitavo concílio ecuménico, reunido em Latrão, entre 1512 e 1517, convocado pelo papa Júlio II della Rovere e encerrado por Leão X Médici.
Teve como causa principal a resolução da crise ligada às teorias conciliares abertas pelo Cisma do Ocidente (1378-1417/18), que pretendiam impor o primado da Igreja nos concílios e não no papa, que passaria assim a depender deles. Todavia, a questão que se afigurou mais importante para o arranque dos trabalhos deste concílio foi a da reforma do clero e dos fiéis, desideratos que foram adiados para o concílio seguinte, que só surgiria timidamente em 1545, em Trento, já na ressaca da Reforma Protestante.
O V concílio de Latrão é um dos de menor impacto na história da Cristandade, dada a participação reduzida de padres conciliares e a ausência de resoluções importantes, perdendo o papado a oportunidade de se ter antecipado a Lutero e aos reformadores em matéria de reforma religiosa. Logo em 1513, por exemplo, morria Júlio II, um típico papa do Renascimento, mais político e material do que religioso e espiritual. Sucedeu-lhe outro que é o paradigma do papa renascentista, Leão X, dos Médici de Florença, que não aproveitou os trabalhos conciliares no sentido religioso de uma reforma que se impunha mas antes no sentido de afirmar a posição política de Roma. Assim, naquilo que é uma das marcas mais importantes deste concílio, conseguiu fazer aprovar uma fórmula concordatária entre Roma e o rei de França, Francisco I, evitando a guerra, sistema que depois se imporia na prática diplomática romana. Acabava-se assim com as guerras "francesas" na Itália e reforçava-se o papel da Igreja na França.
O concílio procurou ainda reformar costumes disciplinares eivados de práticas abusivas e escandalosas, além de ter tentado reformar instituições religiosas, como algumas ordens, e de ter condenado algumas heresias que contestavam a imortalidade da alma. De facto, de acordo com os textos conciliares decretou-se que a alma humana era particular de cada homem, imortal e corporal, não única para todos. Mas nunca se conseguiu impor este concílio como reformador nem como voz ativa e decisiva na Igreja, mergulhada em graves e dilacerantes crises internas. Por outro lado, a atenções de Leão X estavam mais viradas para a construção da basílica de S. Pedro, para a qual era necessário muito dinheiro, levando a Igreja a recorrer de forma excessiva e contraproducente (um dos alvos das ferozes críticas de Lutero) às indulgências como forma de financiamento. Tal como decorreu, discreto e sem resultados de vulto, assim também acabou o concílio de Latrão V.
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