Lawrence Weiner

Lawrence Weiner, uma das figuras centrais da arte conceptual, nasceu no Bronx, Nova Iorque. Depois de concluído o liceu, Weiner teve uma grande variedade de trabalhos: num tanque de petróleo, nas docas, e a descarregar comboios. Viajou por toda a América do Norte antes de regressar a Nova Iorque onde expôs na Seth Siegelaub Gallery em 1964 e 1965. A obra inicial de Weiner incluía experiências realizadas sobre tela e, mais tarde, no corte em esquadria de materiais como alcatifa ou paredes.
O ponto de viragem no trabalho de Weiner surgiu em 1968, quando criou um trabalho para uma exposição ao ar livre organizada pela Siegelaub no Windham College em Putney, Vermont. Como contributo para esta exposição, Weiner propôs definir o espaço para o seu trabalho com meios no mínimo discretos: uma série de estacas postas no terreno a intervalos regulares, de modo a formar um retângulo, e fio de estaca a estaca para formar uma rede - um retângulo removido deste retângulo. Quando os estudantes cortaram o fio porque lhes dificultava a passagem para o pátio da universidade, Weiner apercebeu-se que esta peça podia ter sido ainda mais discreta: os observadores podiam ter sentido o mesmo efeito que Weiner desejava se lessem apenas uma descrição verbal do seu trabalho. Não muito depois disto, Weiner fez da linguagem o primeiro veículo do seu trabalho, concluindo em 1968 que: "(1) O artista pode construir a peça. (2) A peça pode ser fabricada. (3) A peça pode não ser fabricada (sendo adequada e consistente com a intenção do artista, a decisão em relação à condição fica com o recetor na ocasião da receção)".
Como outros artistas conceptuais que ganharam reconhecimento internacional no final da década de 1960 e início de 1970, Weiner investigou formas de apresentação e distribuição que desafiam as pretensões tradicionais sobre a natureza do objeto artístico. Como única contribuição para uma exposição organizada pela Siegelaub em 1968, Weiner criou um pequeno livro intitulado Statements. Como o trabalho consistia em apenas palavras, não havia razão para ser apresentado como um objeto físico. As instalações na parede, que foram o primeiro meio de apresentação da sua obra desde a década de 1970, consistem em somente palavras num invulgar lettering pintado nas paredes. O lettering não precisa de ser necessariamente feito pelo artista, desde que quem o realiza respeite as instruções dadas pelo artista. Apesar de este corpo de trabalho focar o potencial da linguagem, que serve como uma forma de arte, os sujeitos das suas afirmações epigramáticas são frequentemente materiais, ou uma ação física ou processo, como o exemplifica trabalhos como One quart green exterior industrial enamel thrown on a brick (1968) ou Earth to earth ashes to ashes dust to dust (1970). Outras vezes o sujeito envolve uma tradução de uma língua para outra ou um encontro de fronteiras como em The joining of France Germany and Switzerland by rope (1969).
Com o suceder dos anos, Weiner explorou a interação da pontuação, formas e cor, servindo como inflexões de significado para os seus textos. Em 1997, criou Homeport, um ambiente interativo para o site da Internet de arte contemporânea äda'web, no qual os visitantes podem explorar um espaço definido pela linguística e não por características geográficas.
Das suas exposições individuais a partir da década de 1990 são de especial importância as seguintes: Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, Washington, D. C. (1990), Institute of Contemporary Arts, Londres (1991), Dia Center for the Arts, Nova Iorque (1991), Musée d'Art Contemporain, Bordéus (1991 and 1992), San Francisco Museum of Modern Art (1992), Walker Art Center, Minneapolis (1994), Philadelphia Museum of Art (1994), Museum Ludwig, Colónia (1995), Deutsche Guggenheim, Berlim (2000) e Palacio de Cristal y Biblioteca MNCARS, Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madrid (2001). Juntamente com a publicação de livros, Weiner produz também filmes e vídeos como são os casos de Beached (1970), Do You Believe in Water? (1976), e Plowman's Lunch (1982).
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