lei de Gresham

A origem desta lei é atribuída a Sir Thomas Gresham, conselheiro financeiro da rainha Isabel I de Inglaterra. A Lei de Gresham preconiza a ocorrência de um efeito específico sempre que a massa monetária de uma determinada economia é composta por mais do que uma espécie de moeda, embora com o mesmo poder liberatório. Nesse contexto, as características percebidas pelos agentes económicos relativamente às diferentes espécies são diferentes, pelo que passam a ser classificadas como espécies "boas" (as que têm as características consideradas melhores) e "más" (em desvantagem face às melhores).
Num contexto destes, a Lei de Gresham prevê a ocorrência de um fenómeno de conservação por parte dos agentes da moeda "boa", enquanto que a moeda "má" é utilizada para efetuar os pagamentos. Assim, a moeda dita "má" acaba por expulsar da circulação a moeda dita "boa", que os agentes têm tendência a manter em seu poder.
A Lei de Gresham foi já utilizada em várias situações e contextos, sendo a mais conhecida e direta a que está associada ao bimetalismo. O bimetalismo corresponde genericamente a um padrão monetário (valor ou matéria adotados como base do sistema monetário nacional ou internacional a partir do qual são definidos todos os outros tipos de moeda, designadamente as unidades monetárias) com base em dois metais, ouro e prata, que desempenham esse papel de padrão em concorrência. Mais concretamente, este sistema, utilizado sobretudo durante o século XIX, pressupõe: a cunhagem livre de ouro e prata de acordo com as dotações apresentadas pelos particulares; o estabelecimento de uma relação fixa entre os valores de ouro e prata; o reconhecimento de poder liberatório ilimitado tanto ao ouro como à prata.
Em algumas das experiências de bimetalismo verificou-se a ocorrência de desvios derivados de alterações ao nível da oferta de um dos metais. Assim, em situações em que foi descoberta, por exemplo, uma nova mina de ouro, este afluiu em quantidades maiores aos mercados, pelo que se depreciou face à prata. A essa depreciação não correspondeu no entanto a alteração da taxa de conversão entre ouro e prata, pelo que os agentes passaram naturalmente a reter prata e a utilizar ouro para as transações. Nesse caso concreto, a moeda "má" (ouro) expulsou a moeda "boa" (prata) de circulação, num caso típico de verificação da Lei de Gresham.

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