Leiria


Aspetos geográficos
Cidade, sede concelho e capital de distrito, localiza-se na Região Centro (NUT II) no Pinhal Litoral (NUT III). Fica situada na região da Beira Litoral, na confluência dos Lis e Lena. Fica a altitude média de 113 m e dista 132 km de Lisboa e 184 km do Porto.
A área do concelho, 568 km2, está subdividida em 29 freguesias: Amor, Arrabal, Azóia, Bajouca, Barosa, Barreira, Bidoeira de Cima, Boa Vista, Caranguejeira, Carreira, Carvide, Chainca, Coimbrão, Colmeias, Cortes, Leiria, Maceira, Marrazes, Memória, Milagres, Monte Real, Monte Redondo, Ortigosa, Parceiros, Pousos, Regueira de Pontes, Santa Catarina da Serra, Santa Eufêmia e Souto de Carpalhosa. Em 2005, o concelho apresentava 123 145 habitantes.
O natural ou habitante de Leiria denomina-se leiriense.
Este concelho confina com os seguintes distritos: Coimbra a norte, Coimbra e Castelo Branco a nordeste, Santarém a este, Lisboa a sul e é banhado pelo Oceano Atlântico a oeste.
O distrito reparte-se entre o Norte, situado na província da Beira Litoral e o Sul, na província da Estremadura. O distrito de Leiria confina com os seguintes distritos: a norte com o de Coimbra, a sul com o de Lisboa, a leste com os de Castelo Branco e Santarém, e a oeste com o oceano Atlântico.
O distrito de Leiria contém 16 concelhos: Alcobaça, Alvaiázere, Ansião, Batalha, Bombarral, Caldas da Rainha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Nazaré, Óbidos, Pedrógão Grande, Peniche, Pombal e Porto de Mós.
Sendo o distrito pouco montanhoso, as suas principais elevações são as serras de Sicó, Aire e Candeeiros, encontrando a sua altitude máxima na serra de Alvaiázere, a 618 m. Os rios mais importantes que banham o distrito são o Zêzere, o Nabão, o Lis e seus afluentes, o Lena, o Alcoa e o Alfeizerão. O litoral, quase todo caracterizado por costa de arriba, tem praias de grande atração turística como a do Baleal, a de S. Pedro de Muel, a de S. Martinho do Porto, a da Nazaré e a da Foz do Arelho. Na sua costa ficam situados alguns dos acidentes do litoral mais conhecidos como a Concha de S. Martinho do Porto, o Tômbolo de Peniche (ligação de uma ilha - Peniche - à costa através de uma língua de areia), a Lagoa de Óbidos e o Cabo Carvoeiro, de onde se conseguem avistar as ilhas das Berlengas.

História e Monumentos
Leiria é cidade muito antiga, cujos vestígios apontam para a existência de uma povoação na época dos romanos. Os Suevos ocuparam-na em 414. Caiu em poder de D. Afonso Henriques em 1134, que a conquistou aos Mouros e mandou reconstruir o castelo e as muralhas. Recebeu foral do mesmo rei, em 1142, e de D. Sancho I, em 1195, sendo elevada a cidade, em 1545, por D. João III. Em Leiria residiram durante muito tempo D. Dinis e a Rainha Santa Isabel e realizaram-se as cortes de 1254, 1372, 1376 e 1438.
São vários os edifícios e locais de interesse artístico neste distrito, como, por exemplo, a Sé (1550 a 1574), mandada edificar por D. João III, de estilo renascentista, onde se realçam os claustros e a sacristia; a Igreja de S. Pedro, edifício românico (finais do século XII); o Castelo onde se pode ver a Capela da Nossa Senhora da Pena, em ruínas, construída por ordem de D. João I, em estilo gótico, e o Paço da Alcáçova, do tempo de D. João I, de estilo gótico, com vista sobre a cidade. Numa colina frente ao Castelo, um escadório do século XVIII conduz ao Santuário de Nossa Senhora da Encarnação, edifício do século XVI, com interior rico em azulejaria e pinturas do século XVII.
A cerca de 10 Km de Leiria encontra-se o Mosteiro da Santa Maria da Vitória, mais conhecido por Mosteiro da Batalha (século XIV), de estilo gótico, manuelino e renascentista, mandado construir por D. João I, em cumprimento de um voto expresso antes de enfrentar o exército castelhano, na Batalha de Aljubarrota. Um pouco mais para sul fica o igualmente famoso Mosteiro de Alcobaça, datado do século XVII e onde se encontram os túmulos de D. Inês de Castro e D. Pedro I.

Tradições, Lendas e Curiosidades
Leiria tem o seu feriado municipal no dia 22 de maio, data em que se realizam as Festas da Cidade, em honra da passagem a cidade e da criação da diocese, em 1545. Tem como orago Nossa Senhora da Encarnação, homenageada com uma festa, nos dias 14 e 15 de agosto. Outras festas do concelho de Leiria são: a Festa do Corpo de Deus, em maio, o Festival Anual de Música, em julho, e o Festival Regional de Gastronomia e Artesanato, na primeira semana de setembro. Nas restantes sedes de concelho do distrito organizam-se vários eventos, entre eles: a Feira de S. Bernardo, de 20 a 29 de agosto e a Feira de S. Simão, a 26 de outubro, em Alcobaça; a Festa da Senhora da Vitória, a 14 e 15 de agosto, e a Feira Agroindustrial e Artesanal, a 14 e 15 de agosto, na Batalha; a Feira de S. Brás ou dos Pinhões, a 3 de fevereiro, em Bombarral; a Feira Nacional da Cerâmica, de 4 a 12 de julho, e a Feira Nacional da Fruta, de 14 a 23 de agosto, nas Caldas da Rainha; a Festa a S. Domingos, no primeiro domingo de agosto, em Castanheira da Pera; a Feira das atividade económicas, em outubro, e o Piquenique no Pinhal de Leiria, à quinta-feira da Ascensão, na Marinha Grande; a Procissão do Sr. dos Passos, em março, o Corso Carnavalesco, a Festa do Homem, em maio, a Romaria de Nossa Senhora da Vitória, em maio, e a Festa da Nossa Senhora da Nazaré, de 8 a 11 de setembro, na Nazaré; a Romaria de Santo Antão, no terceiro sábado de janeiro, e a Feira de Santa Iria, a 20 de outubro, em Óbidos; a Festa da Semana Santa, em Pedrógão Grande; a Festa do Bodo, com a Feira Agropecuária, no último domingo de julho, e as Tasquinhas na Feira Nacional de Pombal, na última semana de setembro, no Pombal. Em Reguengos de Fetal, no concelho da Batalha, celebra-se todos os anos a Romaria da Nossa Senhora do Fetal, ou a Festa dos Caracóis, no primeiro fim de semana de outubro. O curioso desta festa está na procissão noturna que é iluminada por milhares de candeias feitas em cascas de caracóis.
Na vila de Pombal, próximo da Igreja de Nossa Senhora do Cardal, existiu um forno onde, durante as festas da padroeira, entrava um homem de cravo na boca e chapéu virado, dava três voltas dentro do forno (aceso desde a véspera) e trazia para fora o bolo que estava a cozer. Esta tradição está ligada à figura de Maria Fogaça - uma mulher devota, que, por altura das festa da padroeira, mandava fazer dois bolos grandes de farinha trigo, um para o padre e outro para as gentes daquele lugar.
Segundo uma lenda, a vila de Pombal deve o seu nome à existência abundante de pombos, que um rei teria visto pousados nas ameias do castelo desta povoação e, por conseguinte, teria apelidado a localidade de Pombal.
Uma tradição antiga em Avelar, freguesia de Ansião, consistia em os noivos e os convidados, no dia do casamento, passarem por baixo de arcos floridos, sob os quais se encontravam mesas com doces, frutas e vinho fino. Depois da passagem do cortejo, os arcos eram retirados, ficando só aquele que se situava junto à porta da casa dos noivos, para que secasse e caísse por si.
Como curiosidade, salienta-se a inauguração, entre 1798 e 1804, da primeira carreira de mala-posta (puxada a cavalos, ou muares, que fazia o transporte de correio e de passageiros) de Lisboa a Coimbra. Parece ter sido em Pombal que se construiu o primeiro edifício para a estação de muda (situadas ao longo do percurso, forneciam animais à mala-posta).
A cidade de Leiria foi a primeira localidade portuguesa a ter uma tipografia, imprimindo-se ali, pela primeira vez, em 1466, poucos anos após o genial invento de Gutenberg.

Economia
O distrito produz azeite, cereais, vinho, frutas e batatas. É celebre o seu pinhal que terá sido uma das maiores obras de fomento de D. Dinis. Tem indústrias de cimento, de vidro (principalmente na Marinha Grande), têxtil, de conservas de frutas e de peixe, de cerâmica, de moldes de plástico, etc. A atividade piscatória, com especial relevo em Peniche e na Nazaré, é também um fator importante na economia da região. À beira-mar tem inúmeros centros de atração turística, com relevo para a praia do Baleal, as Berlengas, a Foz do Arelho, as praias de Nazaré, Peniche, S. Pedro de Muel, a concha de S. Martinho do Porto e a Lagoa de Óbidos. O seu artesanato típico consiste na olaria, na cerâmica, nas porcelanas (ex libris da região - a loiça das Caldas), nos cristais e vidros (Marinha Grande), nas faianças, na tapeçaria, nos bordados, na chita de Alcobaça, nas mantas de tear, nos trabalhos em retalhos, na cantaria, na latoaria, na tanoaria, na cestaria, na talha de pedra e nas miniaturas em madeira de utensílios ligados à pesca (Nazaré).
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