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leis Anti-Clericais ""Combes"" (França)
A Lei de 1 de julho de 1901, que reconhecia, pela primeira vez em França, a liberdade de associação, instaura, porém, um regime de exceção para as congregações religiosas, assim arbitrariamente colocadas fora do direito comum, obrigando-as a apresentar um pedido de autorização antes de 1 de outubro seguinte. Imediatamente os beneditinos da Congregação de Solesmes e os jesuítas enveredam pelo exílio. Émile Combes (político francês, nascido em Roquecourbe em 1835 e falecido em 1921 e presidente do Conselho entre junho de 1902 e janeiro de 1905) aplica este aspeto da lei de 1901 com um rigor fanático.
Em junho de 1903, os pedidos de autorização são rejeitados em bloco, com exceção de cinco congregações hospitalárias, missionárias e contemplativas. Certos religiosos exilam-se, outros resistem, mas acabam por ser expulsos.
A 29 de abril de 1903, "Dragões" franceses a cavalo expulsam os monges da Grande Cartuxa, em clima de autêntica guerra civil.
Em 7 de julho de 1904, uma lei interdita o ensino aos membros das congregações autorizadas. Para culminar este conjunto de leis, a 9 de dezembro de 1905 extingue-se o regime definido pela Concordata de 1901. A religião passa a ser considerada um fenómeno de cariz privado. Assegura-se a liberdade de consciência e de culto, mas transfere-se os bens da Igreja para as associações laicas. Sem qualquer acordo, o Estado inicia o arrolamento dos bens da Igreja, o que causa distúrbios violentos em 1906 e uma intervenção enérgica do Papa Pio X, que condena aqueles inventários estatais. Todavia, a 2 de janeiro de 1907, os "edifícios de culto" são postos à disposição dos fiéis.
Este clima de tensão entre a Igreja e o Estado durará até 1914. Como noutros domínios, a Primeira Guerra Mundial marcará uma rutura neste processo: sem modificação da legislação, as ordens religiosas gradualmente encontram meios de retomar a vida em França entre 1918 e 1940.

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