Leite de Vasconcelos

Jornalista e escritor moçambicano, Teodomiro Alberto Azevedo Leite de Vasconcelos nasceu a 4 de agosto de 1944, em Arcos de Valdevez, distrito de Viana do Castelo, Portugal.
Sobrinho do etnólogo e linguista José Leite de Vasconcelos, o jornalista foi para Moçambique com um ano de idade, tendo vindo posteriormente a naturalizar-se moçambicano.
Na década de 60, iniciou a sua atividade jornalística na Rádio Aeroclube da Beira, tendo passado para a Rádio Clube de Moçambique, em 1969. Em 1972, partiu para Portugal por motivos políticos. Nessa altura, estudou Comunicação Social no Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina da Universidade Técnica de Lisboa e exerceu as funções de redator no jornal Expresso, na Rádio Clube Português e na Rádio Renascença, na qual foi também produtor de programas e locutor. Durante o programa "Limite" da Rádio Renascença, Leite de Vasconcelos pôs a tocar a canção "Grândola Vila Morena" de José Afonso, que serviu como senha para o desencadear do golpe de Estado de 25 de abril de 1974. Depois de regressar a Moçambique, trabalhou na Rádio de Moçambique, onde ocupou várias posições até alcançar o cargo de diretor-geral (1981-1988). Para além disso, foi diretor da Televisão Experimental de Moçambique, vice-presidente da Organização Internacional de Jornalistas (1981-1984), assessor de comunicação do Primeiro-Ministro (1988-1991), presidente do Conselho Deontológico da Organização Nacional de Jornalistas, professor e responsável pedagógico na Escola de Jornalismo de Maputo, declamador e ator de teatro, tendo criado o Teatro Radiofónico na Rádio de Moçambique.
Como escritor, dinamizou várias mesas redondas, escreveu vários roteiros para documentários, destacando-se o roteiro para o filme O Gotejar da Luz (2000) de Fernando Vendrell. Escreveu várias peças de teatro, como As Mortes de Lucas Mateus (2000), as crónicas Pela Boca Morre o Peixe (1999) e os livros de poesia Irmão do Universo (1994) e Resumos, Insumos e Dores Emergentes (1997).
Recebeu vários prémios, destacando-se: os prémios de Melhor Locutor do Ano e de Melhor Programa Radiofónico do Ano (1971), pelo seu programa "A Noite e o Ouvinte"; o prémio de Melhor Programa do Ano (1974), com "Limite" da Rádio Renascença, atribuído pela Casa da Imprensa; a Medalha Julius Fucik (1981), o Prémio de Crónica Aerosa Pena (1988) e o Prémio de Melhor Programa Radiofónico do Ano (1988), com o programa "Sabadar", distinções atribuídas pela Organização Internacional de Jornalistas; o Prémio de 10.º Aniversário da Associação de Escritores Moçambicanos (1991), para o conto "O Lento Gotejar da Luz".
Leite de Vasconcelos faleceu a 29 de janeiro de 1977, em Joanesburgo, África do Sul, vítima de doença prolongada.
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