Lena D'Água

Cantora portuguesa, Helena Maria de Jesus Águas nasceu a 16 de julho de 1956 e é filha do futebolista do Benfica José Águas.
Aos 18 anos, depois de ter deixado o curso de Filosofia da Faculdade de Letras de Lisboa, estreou-se como atriz de teatro na peça Viagem à Íris, de Rui Mesquita.
No ano seguinte, 1975, casou com o músico Ramiro Martins, que fazia parte do grupo Beatnicks, e começou a frequentar o curso do Magistério Primário, que viria a concluir três anos mais tarde. Entretanto, em maio de 1976 entrou para os Beatnicks, ainda com o nome de Helena Águas, e apesar de não ser a vocalista principal revelou ter uma boa voz. O grupo teve algum sucesso graças a bons concertos ao vivo, mas em abril de 1978, por altura da sua separação de Ramiro, Helena abandonou os Beatnicks. Logo nesse ano, foi convidada para fazer parte do coro dos Gemini no Festival da Canção, que ganharam o certame com "Dai-Li-Dou Papagaio Voa".
Helena participou então em vários projetos, sendo um deles o grupo Dia d'Água, de Luís Pedro Fonseca, que atuava durante a peça As Professias do Bandarra, do Teatro Experimental de Cascais. Ainda em 1978, o grupo participou noutra peça de teatro, esta chamada Isto ou Aquilo. Um dos atores perguntou a Helena se se chamava Lena D'Água por pertencer ao grupo Dia d'Água e ela achou piada e resolveu adotar o nome.
Em abril de 1979, lançou o primeiro single a solo, com o tema "O Nosso Livro", um poema de Florbela Espanca. Paralelamente, Lena D'Água ia dando aulas de música e de educação especial e fazia gravações de publicidade e de coros para outros músicos.
A cantora trabalhava muito com os músicos José da Ponte e Luís Pedro Fonseca e os três, em 1980, resolveram formar a banda Salada de Frutas, para a qual convidaram ainda Guilherme Inês e José Carrapa. Nesse ano, lançaram o álbum Sem Açúcar.
O sucesso surgiu em maio de 1981, com o single "Olh'ó Robot", que entrou diretamente para o número um do top português.
Mas o excesso de protagonismo de Lena D'Água levou a que fosse afastada dos Salada de Frutas em setembro desse mesmo ano. Com ela, acabou por sair também Luís Pedro Fonseca. Este músico de imediato fundou a Banda Atlântida, conjunto musical destinado a acompanhar Lena D'Água. Antes do fim do ano lançaram o single "Vígaro Cá, Vígaro Lá". Em 1982, foi editado o álbum Perto de Ti, que chegou a disco de prata, e, em novembro de 1984, saiu o disco Lusitânia, que incluía o tema "Sempre Que o Amor me Quiser", um dos maiores sucesso de sempre da cantora.
Em dezembro de 1984, foi editado um livro de poemas de Lena D'Água, escritos entre os seus 17 e 22 anos.
Em 1986, saiu o álbum Terra Prometida, onde estava incluída a música "Dou-te um Doce", e, no ano seguinte, Aguaceiro, onde interpretou originais de Rui Veloso e Pedro Ayres Magalhães e versões de José Afonso, António Variações, Sérgio Godinho e Milton Nascimento. Aguaceiro chegou a disco de prata.
Lena D'Água voltou a interpretar temas de António Variações em 1989, no álbum Tu Aqui, que incluiu cinco originais do excêntrico cantor.
Em 1994, a cantora juntou-se a Rita Guerra e Helena Vieira para apresentar o espetáculo As Canções do Século, onde o trio interpretava temas franceses, italianos, ingleses, americanos e portugueses que fizeram sucesso entre 1900 e 1990. Em novembro desse ano, uma atuação do trio no Casino Estoril deu origem a um álbum ao vivo, que viria a ser disco de prata.
No dia 8 de junho de 1996, Lena D'Água deu um espetáculo na Bósnia, juntamente com outros artistas nacionais, para as tropas portuguesas, enquanto em Portugal continuou com as atuações de As Canções do Século.
Em 2001, foi uma das participantes da chamada "novela da vida real" da TVI, o programa intitulado Big Brother Famosos.
A cantora está afastada das gravações de estúdio desde 1989, mas mantém alguma atividade de palco, participando em iniciativas esporádicas, como por exemplo, no ciclo "Concertos Mensais" (2003), no Casino do Estoril. Além destes a cantora esteve envolvida noutros projetos ao vivo, um dedicado a Billie Holliday, outro a Ellis Regina e um terceiro apenas com autores portugueses (José Mário Branco, Zeca Afonso, Sérgio Godinho, Xutos e Pontapés e Camané, entre outros).
As edições discográficas mais recentes da cantora são a compilação O Melhor de Lena D' Água - Sempre Que O Amor Me Quiser (1996) e as participações nas coletâneas As Melhores de João Gil (2001), ao lado de Jorge Palma e Diogo Infante, no tema "Laura", e Sonhos Traídos (2002), com o tema "A Luz Que Eu Vi".
Como referenciar: Lena D'Água in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-11-18 16:12:51]. Disponível na Internet: