Língua, Cultura e Património da Civilização Visigótica na P. Ibérica

Após a estabilização das relações entre os Visigodos, as populações autóctones da Península Ibérica (Hispano-romanos) e os Suevos que aqui viviam antes da chegada desta tribo germânica, formou-se o estado visigótico.
A miscigenação destas comunidades com características muito diversas foi facilitada a partir do momento em que os Visigodos se converteram ao Cristianismo. A conversão deste povo fez, assim, desaparecer os obstáculos mais difíceis ao entendimento mútuo.
A realização de Concílios fez nascer alguma legislação comum, embora numa forma inicial esta dissesse apenas respeito a aspetos religiosos que aí se discutiam. Numa primeira fase, havia um código de leis para cada comunidade, mas paulatinamente esta situação veio a alterar-se. A primeira lei conhecida na Península Ibérica, igual tanto para os invasores como para os povos dominados, é um documento judicial de Teudis. Mas muito mais importante do que este documento veio a ser o Código Visigótico de 654 (liber judicum, forum judicum, liber judiciorum), criado por Recesvindo, que marcou o fim da separação jurídica. Este texto jurídico, do qual se conhecem três versões, constitui um dos principais legados deixados por este povo bárbaro, que marcou uma nova era da história da Península Ibérica.
Outro vestígio deixado da época germânica é a designação dos dias da semana. Os Romanos usavam uma nomenclatura astronómica introduzida pelos Caldeus, associada a divindades pagãs, enquanto os Cristãos preferiram indicar os dias pela sua posição em relação ao sábado: prima, secunda, tertia, etc. Com a difusão do Cristianismo, a prima foi consagrada ao dia do Senhor, mas manteve-se a ordem a partir de segunda-feira. No tempo de S. Martinho de Dume ainda se usava a designação pagã, embora este não estivesse de acordo com essa tradição. Na cidade de Braga encontrou-se a primeira lápide com a indicação do dia cristão da semana (618).
No plano material, a dominação germânica não deixou grandes vestígios no nosso território. Também no plano étnico o seu peso quase não se fez sentir. Dos primeiros invasores, apenas uma pequena parte, não quantificável, se fixou na faixa ocidental, sem se puder quantificá-la. A única mancha étnica com alguma expressão é a do reino suevo, que se centrou no Entre Douro e Minho, onde se encontraram inscrições epigráficas.
Nalgumas áreas portuguesas terão funcionado oficinas de cunhagem de moeda: Leovigildo (571-586) em Braga, Porto e Évora; Recaredo (586-601), no Porto, Emínio, Egitânia e Évora; Liuva II (601-603), no Porto, Emínio e Évora; Viterico (603-610) em Braga e Emínio; Sisebuto (612-621) no Porto, Lamego, Viseu, Emínio, Egitânia e Évora; Suintila (621-631); Quindesvinto (642-649) em Braga; Recesvinto (653-672) em Braga e em Egitânia; Égica (687-702) em Braga.
No Alentejo são mais numerosos os vestígios da arte visigótica, patentes no Museu de Beja. Os edifícios desta época são bastante raros, no entanto ainda sobrevivem alguns, como a Capela de S. Frutuoso de Montélios, junto de Braga, a Igreja de S. Pedro de Balsemão, nos arredores de Lamego e a Igreja de S. Gião da Nazaré.
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