Literatura Cibernética II

Na sequência de Literatura Cibernética I (1977), de Pedro Barbosa, um primeiro contributo para uma máquina lírica, Literatura Cibernética II (1980), do mesmo autor, levanta a hipótese de o computador poder produzir textos narrativos. A obra descreve as etapas desse processo de criação e formula uma reflexão sobre estética e teoria da literatura que permite resolver o estatuto da obra computacional. O autor define três estádios do objeto estético: o objeto estético natural, os objetos estéticos humanos ou obras de arte e os objetos estéticos artificiais, constituídos por "sinais tendencialmente inintencionais, reestabelecendo uma relação análoga à de objeto/sujeito, em que uma máquina se defronta com um sujeito-recetor num ato de quase pura significação". Porque a máquina só reconhece o significante, desconhece o significado, a palavra não é palavra para a máquina, e só se transforma em palavra no ato de leitura. A dimensão literária do texto artificial reside, pois, na sua opacidade, isto é, na liberdade interpretativa do recetor.
Como referenciar: Literatura Cibernética II in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-11-30 05:41:42]. Disponível na Internet: