literatura mística
A literatura mística reúne obras que descrevem o itinerário que conduz a alma até à sua união com Deus, através das diversas etapas da vida espiritual, concebidas como um processo que, percorrendo as vias purgativa, iluminativa e unitiva, tem como ponto de chegada a contemplação. A literatura mística apresenta, normalmente, o testemunho de um cristão a quem é concedida a revelação do mistério - na raiz etimológica de mística - da morte e ressurreição de Cristo, através da leitura da Sagrada Escritura ou por uma intervenção da graça divina. A partir da época moderna, a literatura mística reveste cada vez menos a forma de conhecimento revelado, para colocar, cada vez mais, o acento na experiência simultaneamente sofredora e de regozijo pela qual a alma se vai elevando até Deus. Ao longo desta ascensão, a linguagem que serve a expressão do amor divino reveste-se, muitas vezes, de uma semantização lírico-amorosa que, tendo como intertexto o Cântico dos Cantos, culmina com uma alegoria do matrimónio da alma com o seu esposo, Jesus Cristo, como sucede numa das mais belas obras de espiritualidade da prosa medieval portuguesa, o Boosco Deleitoso:
" Fui-lhe dizendo, como a esposa dos Cantares, para esperar um pouco no horto, pois eu estava preparando o quarto e o leito conjugal no centro da alma. Era de púrpura, seda branca e jacinto, o nosso leito. A púrpura significava fortaleza. A seda branca, a pureza. E o jacinto, a prudência. Afinal, a montanha da contemplação está dentro de nós. O palácio da Sabedoria, ainda mais dentro. E no mais adentro da alma, repousa o tálamo conjugal e nele se realiza o perfeito amor." (Apud MARTINS, Mário - "Alegorias, Símbolos e Exemplos Morais da Literatura Medieval Portuguesa", in Brotéria, Lisboa, 1975, p. 274.)
" Fui-lhe dizendo, como a esposa dos Cantares, para esperar um pouco no horto, pois eu estava preparando o quarto e o leito conjugal no centro da alma. Era de púrpura, seda branca e jacinto, o nosso leito. A púrpura significava fortaleza. A seda branca, a pureza. E o jacinto, a prudência. Afinal, a montanha da contemplação está dentro de nós. O palácio da Sabedoria, ainda mais dentro. E no mais adentro da alma, repousa o tálamo conjugal e nele se realiza o perfeito amor." (Apud MARTINS, Mário - "Alegorias, Símbolos e Exemplos Morais da Literatura Medieval Portuguesa", in Brotéria, Lisboa, 1975, p. 274.)
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Como referenciar
literatura mística na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$literatura-mistica [visualizado em 2026-06-11 13:57:39].
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