Livraria Lello

A Livraria Lello surgiu em outubro de 1930, no Porto, quando foi mudada a designação da Livraria Internacional Chardron, que havia sido fundada em 1869 pelo francês Ernesto Chardron, na Rua dos Clérigos. Chardron, que era também editor, faleceu com 45 anos e a Livraria Internacional foi comprada pela Lugan & Genelioux Sucessores.
A 30 de junho de 1894, já após a morte de Genelioux, Mathieux Lugan vendeu a Livraria Chardron a José Pinto de Sousa Lello, que tinha por associado um irmão. Até aos dias de hoje, a livraria esteve sempre na posse da família Lello. A 13 de janeiro de 1906 foi inaugurado, na Rua das Carmelitas, o edifício, internacionalmente famoso, que ainda hoje alberga a Livraria Lello. Esta inauguração, para além de muita badalada em Portugal, foi também referida na imprensa do Brasil. No dia da inauguração do edifício, marcaram presença personalidades das artes, do ensino, do comércio e da política, como Guerra Junqueiro, Abel Botelho, Bento Carqueja, António Arroio, Júlio Brandão, José Leite de Vasconcelos, entre outros.
Este edifício, em estilo neogótico, com escadaria de madeira trabalhada, uma fachada com um arco amplo e uma janela tripla, tornou-se um ex-líbris da cidade do Porto. Na fachada há duas figuras pintadas, da autoria de José Bielman, uma representando a Arte e a outra a Ciência. No interior há uma sala grande onde está a já referida escadaria que dá acesso ao primeiro piso, onde também existe um café com mesas para os leitores. O espaço da livraria está decorado com pilares com bustos de Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Antero de Quental, Tomás Ribeiro, Teófilo Braga e Guerra Junqueiro, assinados por Romão Júnior. Há ainda um vitral com o símbolo da Lello & Irmãos com a divisa "Vecus in Labore". O edifício foi desenhado pelo engenheiro Xavier Esteves e veio ser classificado como património nacional.
Em finais de 1994, a livraria, entretanto renomeada Lello & Irmão, foi restaurada, respeitando a traça original, interior e exterior, passando por uma grande modernização para adaptar o espaço às necessidades da época. A Livraria Lello passou a ter um fundo bibliográfico de 60 mil títulos, um ficheiro informático nacional e internacional, uma secção de revistas, uma de música e uma de livros antigos. Foi também criada uma galeria de arte permanente.
Como referenciar: Livraria Lello in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-09-17 21:40:02]. Disponível na Internet: