Louise Bourgeois

Pintora, escultora, gravadora e desenhadora de naturalidade francesa nascida em 1911, em Paris, onde também passou toda a sua infância. Louise Bourgeois teve uma infância animada, mas deteriorada por difíceis relações familiares: o caso amoroso do pai com a governanta foi talvez o mais visível sintoma de disfunção. Atingindo a maioridade, Bourgeois iniciou os seus estudos superiores na Sorbonne (1932-1935), estudando Matemática, e mais tarde na École des Beaux-Arts em Paris (1936-1938). Mas a sua experiência mais antiga neste campo veio-lhe do trabalho com os pais no seu atelier de restauro de tapeçarias. Depois de casar com Robert Goldwater, um historiador de arte americano, Bourgeois mudou-se para Nova Iorque (1938). Mas os mistérios da sua infância permaneceram vivos dentro dela, exigindo a sua exploração através da arte: "De forma a expressar as insustentáveis tensões familiares, eu tinha de expressar a minha ansiedade em formas que eu pudesse modificar, destruir, e reconstruir".
Louise Bourgeois usa as suas histórias pessoais no seu trabalho. Uma das criadoras mais imaginativas na área da arte contemporânea, trouxe para a arte conceitos feministas e psicológicos antes de estes fazerem parte da cultura popular. As suas esculturas, difíceis de classificar, e exposições são marcadas por uma intensidade emocional e erótica. Utilizando madeira, papel, metal, látex, tecido, mármore e outros materiais para criar as suas obras pessoais e abstratas, Bourgeois aproxima-se das técnicas modernistas como a colagem cubista, mas já na década de 1970 começa a virar-se para um obscuramente subjetivo e elaboradamente eclético domínio do pós-modernismo. A sua "Desconstrução do Pai" (1979) apresenta um ambiente de caverna onde formas esféricas borbulham das paredes junto a estalactites da cor da carne. As esculturas de Bourgeois esbatem muitas vezes a distinção entre interior e exterior, entre corpo e mente e exploram a natureza e função da memória.
Em 1949 realizou a sua primeira exposição de escultura e, nos anos de 1960 e 1970, os seus conteúdos tornaram-se mais sexualmente explícitos. O seu trabalho começou a ser apreciado e reconhecido na década de 1970 como resultado da mudança de atitude em relação ao feminismo e ao pós-modernismo. Em 1992 desenhou o pavilhão americano na Bienal de Veneza e participou na Documenta 9 em Kassel.
Das suas exposições individuais mais significativas podem-se destacar as seguintes: Louise Bourgeois: Retrospective, Museum of Modern Art, Nova Iorque (1982-83); The Locus of Memory, itinerante: The Brooklyn Museum, Nova Iorque; The Corcoran Gallery of Art, Washington, D. C.; Galerie Rudolfinum, Praga; Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris; Deichtorhallen, Hamburgo; Musée d'Art Contemporain de Montréal (1993-96); 1997-98 Yokohama Museum, Tóquio; Louise Bourgeois: Inaugural Installation of the Tate Modern Art at Turbine Hall, Tate Modern, Londres (1999-2000); Louise Bourgeois, Guggenheim Museum Bilbao. De entre os prémios que já recebeu encontram-se o Grande Prémio Nacional de Escultura, oferecido pelo Ministério da Cultura francês em 1991, ou o Leão de Ouro da Bienal de Veneza em 1999. A sua obra está presente nas coleções de museus como o British Museum, Londres, Guggenheim Museum, Nova Iorque e Bilbau, Kunstmuseum Basel, Basileia, Musée National d'Art Moderne, Centre Georges Pompidou, Paris, Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madrid, Tate Gallery, Londres ou o Whitney Museum of American Art, Nova Iorque.
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