Lourenço Pires de Távora

Fidalgo do século XVI, nascido em 1510, em Almada, foi para Arzila, onde foi capturado e depois liberto pelos árabes. Foi com o infante D. Luís a Tunes, em 1535, e quando regressou a Portugal enveredou pela via diplomática. Foi no desempenho destas funções que viajou a Inglaterra na ocasião da subida ao trono de Maria Tudor.
Em 1546 navegou por águas pouco conhecidas até Cochim, como capitão-mor de uma esquadra de seis navios. Uma vez em Cochim, embarcou novamente com o intuito de ajudar D. João de Castro, que ia escorraçar os turcos que cercavam Diu. Muito bem recebido aquando do encontro perto de Baçaim, desempenhou um papel muito importante na batalha, pelo seu bom senso e experiência.
Em 1541 foi enviado em missão diplomática a Marrocos, ao rei de Fez, Mulei Ahmed. Esta missão, que não teve êxito, visava a aliança de Portugal e de Fez contra a ameaça que os xerifes do sul de Marrocos representavam às possessões de ambos. Cerca de 1549 foi enviado como embaixador de Portugal a Carlos V, e representou o príncipe D. João (filho de D. João III) no casamento por procuração com D. Joana, filha de Carlos V, em Toro a 11 de janeiro de 1552.
Diz-se que teve muita influência na infanta através de intrigas palacianas.
Em 1558 fundou um convento para os frades capuchos da Arrábida na Caparica, junto ao solar da Casa da sua família.
Em junho de 1559 foi enviado como embaixador a Roma, tendo contribuído grandemente para a quantidade de votos a favor do cardeal D. Henrique quando houve a eleição do novo papa.
Em 1560 foi chamado pelo papa Pio IV, na qualidade de embaixador de Portugal, juntamente com os embaixadores de outros países em Roma, para dar a opinião do rei que representava sobre o Concílio de Trento. Dois anos depois regressou a Portugal, e de tal modo tinha agradado ao papa que os seus conhecimentos e amizades (designadamente com a Companhia de Jesus) tiveram um peso decisivo na disputa do trono de Portugal entre a rainha D. Catarina e o cardeal D. Henrique.
Dado que os jesuítas exerceram uma grande influência sobre o cardeal e não estava de acordo com os conselhos do embaixador, desacreditaram D. Lourenço a todo o custo, sobretudo após a publicação de um plano de governação, intitulado Memórias sobre os interesses da Monarquia. D. Lourenço foi, apesar da idade avançada, nomeado capitão de Tânger em 1564, então em perigo.
Voltou passados dois anos e com feitos extraordinários realizados, que não foram reconhecidos.
Teve como filhos Cristóvão de Távora, Rui Lourenço de Távora e Álvaro Pires de Távora.
D. Lourenço faleceu a 15 de fevereiro de 1573, na Caparica.
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