Luís de Freitas Branco

Compositor, musicólogo e professor português, Luís Maria da Costa de Freitas Branco nasceu a 12 de outubro de 1890, em Lisboa.
Começou a aprender música desde cedo, tendo como professores Augusto Machado na disciplina de Harmonia, Tomás Borba no Contraponto, Fuga e Instrumentação e o Senhor Goñi para aprender violino. Em 1904, compôs a sua primeira peça Aquela Moça que é uma das composições mais interpretadas pelos artistas. Três anos depois, escreveu a 1.ª Sonata para violino e piano, com a qual obteve o 1.º Prémio com Distinção do Concurso de Música Portuguesa, em 1908. Em 1906, passou a frequentar a Academia de Amadores de Música e a estudar órgão com o belga Désiré Pâque que lhe apresentou as teorias de Vincent d'Indy.
Em fevereiro de 1910, partiu para Berlim com o tio, João de Freitas Branco, e tornou-se aluno de Humperdinck. Nessa cidade, estudou Paleografia Musical e Metodologia da História da Música, acolhendo fortemente as influências doutrinárias do compositor Stephan Krehl e de Hugo Riemann. Nessa altura, conviveu com Viana da Mota e com Francisco de Andrade. No ano seguinte, foi para Paris, onde teve aulas com Gabriel Graviez sobre estética e formas impressionistas e onde conheceu pessoalmente Debussy. Em 1913, recebeu uma menção honrosa no Concurso de Composição Musical de Lyon, pela canção La Glèbe s'Amollit. Em 1912, foi para a Madeira com a Família e, de regresso a Portugal continental, foi designado, em 1915, membro do Conselho de Arte Musical, cargo que ocupou até à sua extinção em 1930. Em 1916, foi professor de Leitura de Partitura, Realização de Baixo Cifrado e Acompanhamento, no Conservatório Nacional de Lisboa e, em 1918, foi vogal da Comissão de Reforma do Conservatório de Lisboa, propondo a criação de várias disciplinas. Após a reforma do Conservatório, tornou-se subdiretor da instituição até 1924 e, entre 1919 e 1930, foi o único professor da disciplina de Ciências Musicais por ele criada.
Em 1921, juntamente com Viana da Mota, participou no Congresso de História da Arte, em Paris, onde também fez uma comunicação sobre os mestre portugueses dos séculos XVI e XVII, sendo distinguido por Amédée Gastoné e André Pirro. Durante a sua estadia em França, aproveitou para visitar as principais catedrais francesas, como a de Chartres e a de Reims, e estabeleceu contacto com várias personalidades. Ao longo a sua vida fez outras pequenas viagens a França e a outros países a fim de realizar conferências.
Entre 1925 e 1927, foi diretor artístico do Teatro de S. Carlos, em 1930, foi designado membro do Conselho Disciplinar do Ministério da Instrução Pública, vogal do Instituto para a Alta Cultura e docente de Composição no Conservatório. Em 1931, encontrou-se com Jacques Thibaud, no Porto, e com Béla Bartók, em Lisboa, com quem refletiu sobre estética, técnica e pedagogia musical. Nesse ano, foi nomeado professor de Pedagogia Geral da Música no Liceu Normal de Pedro Nunes, em Lisboa.
Em 1937, apresentou ao ministro da Educação Nacional, Eduardo Pacheco, as Bases para uma Nova Lei Orgânica do Conservatório Nacional de Música, mas sem grandes esperanças na concretização desta reforma, visto que esta não se orientava pela política do Estado Novo. Aproximando-se das forças oposicionistas, Freitas Branco defendeu, na época, Fernando Lopes-Graça que se encontrava preso, por razões políticas, desde 1931.
Em 1939, foi suspenso das suas funções no Conservatório, facto que conduziu ao seu afastamento na prestação de serviços a organismos do Estado Novo. Em 1951, foi também afastado da Emissora Nacional, pelo facto de ter usado uma gravata vermelha no dia seguinte à morte do Presidente da República, Óscar Carmona.
Como compositor, Freitas Branco deixou uma vasta obra musical: 5 sinfonias; músicas de câmara; peças instrumentais; poemas sinfónicos, tais como Depois duma leitura de Antero de Quental (1908), Depois duma leitura de Júlio Diniz (1908), Depois duma leitura de Guerra Junqueiro (1908), Os Paraísos Artificiais (1910); obras vocais, como A Elegia das Grades (1910), Soneto dos Repuxos (1915), 27 Canções Populares Portuguesas (1943); música sacra, como a oratória As tentações de S. Frei Gil (1910); música coral-sinfónica, como Noemi (1937); obras baseadas em escritores portugueses, como Dez Madrigais Camonianos (1935), Hino à Razão (1934, inspirado em Antero de Quental) e A Sulamita e Idílio (1934, sobre poemas de Antero). Registe-se a realização de trabalhos musicais para os filmes Gado Bravo de Max Nosseck, Douro, Faina Fluvial de Manoel de Oliveira e Frei Luís de Sousa de António Lopes Ribeiro. A sua investigação musical contribuiu para a revalorização do período polifónico da música portuguesa. A sua obra de compositor relaciona-se, numa primeira fase, com as correntes ultrarromântica, impressionista e expressionista e, numa segunda fase, encontra-se marcada pelo predomínio da influência neoclássica e pela construção formal de raiz beethoveniana.
Freitas Branco, para além de ter fundado a revista Arte Musical e de ter dirigido a Gazeta Musical, publicou algumas obras teóricas, como Elementos de Ciências Musicais (1929), Acústica e História da Música (1929), Tratado de Harmonia (1930), História Popular da Música (1942), A Personalidade de Beethoven (1947), D. João IV Músico (1956, publicado postumamente).
Luís de Freitas Branco faleceu a 27 de novembro de 1955, em Lisboa, vítima de um colapso cardíaco.
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