Luís Villas-Boas

Músico de jazz português, filho de um republicano, oficial do exército e homem de Letras, Luís Villas-Boas nasceu em 1924, em Lisboa. Começou a estudar música clássica aos 6 anos, frequentando as aulas do professor Tomás Borba, na Academia dos Amadores de Música. Na casa paterna existiam duas harpas, um piano (para ele) e a guitarra portuguesa do pai, que chegou a tocar com Carlos Paredes.
Na sua juventude frequentava os concertos do S. Carlos e, como bom aluno, conciliava o curso de Engenharia com o de Piano do Conservatório. Em 1942 começou a interessar-se profundamente pelo jazz. Abandonou os dois cursos, tirou o de inglês do Instituto Britânico e foi trabalhar como tradutor para os CTT. Fazia a audição das rádios estrangeiras no tempo da guerra e no intervalo dos noticiários escutava Glenn Miller. Em 1945, editava o primeiro dos seus programas de jazz na rádio que durariam 20 anos (com Artur Agostinho e Curado Ribeiro, entre outros).
O casamento com Maria Helena, a 13 de junho de 1947, marcou um novo rumo na sua vida. Ano e meio depois, substituía os CTT pelo Aeroporto de Lisboa. Primeiro na meteorologia e, passados alguns anos, na KLM (como despachante de operações de voo). Em França, na década de 50, Luís Villas-Boas conheceu Charles Delaunay e o seu Hot Club de França, nome com que batizou o seu primeiro programa radiofónico na Emissora Nacional e um outro projeto concretizado em 1951 - O Hot Clube de Portugal. Grandes nomes do jazz mundial, como Louis Armstrong, Sarah Vaughan e Frank Foster (diretor da orquestra de Count Basie) vieram a Portugal pela "mão" de Villas-Boas, onde conviviam e tocavam em animadas tertúlias notívagas.
Paralelamente à sua atividade musical, dedicava-se também às causas político-sindicais. Ligado ao PS (Partido Socialista), foi um dos Fundadores do SITAVA (Sindicato dos Trabalhadores da Aviação Civil e Aeroportos). Esteve dois mandatos na Intersindical. Foi membro do Conselho Geral do INATEL e presidente da Assembleia Geral do Hot Clube.
O I Festival Internacional Jazz de Cascais aconteceu em novembro de 1971, fruto de um encontro entre Villas-Boas, Hugo Mendes Lourenço e João Braga, os seus primeiros sócios, com quem formou uma empresa de produção de concertos, discos e programas de rádio e televisão - a SoJazz. Apesar do sucesso alcançado, o festival veio a perecer à 18.ª edição, em 1988, devido à falta de apoios financeiros.
Entusiasta do estilo musical bossa-nova, foi um dos seus divulgadores por todo o mundo, chegando a ser considerado nalguns países, como na Austrália, o introdutor desta performance musical. Aliás, em Portugal foi o primeiro a utilizar a Aula Magna com um concerto denominado "Mil Anos de Jazz".
Vários foram os programas que apresentou na rádio e na televisão, como, por exemplo, "Disco e Daquilo", que contava com a participação de Carlos Cruz e Mário Viegas. Todavia, sempre se mostrou um crítico em relação à política mercantil adotada pelas editoras perante a música jazz, as principais responsáveis pelo vazio existente no panorama jazzístico em Portugal.
Luís Villas-Boas, já nos últimos anos da sua vida, manifestou uma grande vontade, expressa à Câmara Municipal de Lisboa, em doar o seu enorme espólio pessoal para a constituição de um futuro Museu da Música em Portugal.
Num ato de reconhecimento público de uma longa atividade no âmbito do jazz, o presidente da República Mário Soares condecorou Luís Villas-Boas com a Ordem do Infante no 10 de junho de 1989, nos Açores. Faleceu a 10 de março de 1999, em Lisboa, vítima da doença de Alzheimer.
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