Luiza

Personagem da obra Esta Noite Sonhei com Brueghel (1987) de Fernanda Botelho. "Mulherzinha ociosa" que, por brincadeira, enceta a redação do manuscrito autobiográfico "Esta Noite Sonhei com Brueghel", o percurso de Luiza, entre duas experiências conjugais, revela uma sensibilidade à monotonia e à boçalidade que encontra no adultério uma forma de rutura com um modo de vida burguês, nesse bovarismo (mais complexo porque dobrado de um profundo sentimento de desencanto e de ceticismo) evocando uma outra Luiza, a de O Primo Bazílio. À Luiza que, num primeiro momento do romance, transporta oniricamente a vivência evocada pelos quadros de Brueghel para a vivência contemporânea e apreende com lúcida ironia o desencanto do presente e a frivolidade dos gestos, pensamentos e diálogos que compõem o convívio social e conjugal, opõe-se, porém, uma Luiza que, continuando as múltiplas incursões a um passado revisitado nas experiências sexuais (as "experiências triangulares" com Pepe e Flores de que guarda um sentimento de devassidão e impureza) e emocionais (com relevo para a memória do pai e para uma tentativa de suicídio durante a adolescência) que compuseram a formação protagonista-narradora, assumirá a escrita como forma de entrever "a outra face da verdade" e de dissipar os enigmas acumulados na crise da relação amorosa com o psiquiatra e escritor Diogo Raposo.
Como referenciar: Luiza in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-06-20 20:27:41]. Disponível na Internet: