Luta pela independência de Timor-Leste

O conflito armado em Timor-Leste teve início em 1975, em consequência da invasão da Indonésia, apesar de, desde 1945, o governo indonésio, em obediência ao Direito Internacional, afirmar à ONU e a outras instituições não ter qualquer reivindicação territorial sobre Timor Oriental.
Em 1960 Timor-Leste foi considerado pelas Nações Unidas como um território não autónomo sob administração portuguesa. De 1962 a 1973, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, sucessivamente, diversas resoluções que reconheciam o direito à autodeterminação de Timor-Leste.
Após a Revolução de 25 de abril de 1974 em Portugal, as colónias portuguesas ficaram independentes, e o mesmo se pensaria acontecer com Timor Oriental. Surgiram três partidos políticos em Timor-Leste, a União Democrática Timorense (UDT), a Associação para a Integração de Timor na Indonésia (primeiramente apelidada AITI e mais tarde denominada APODETI) e a Frente de Libertação de Timor Leste (FRETILIN). Em 1975, o desentendimento entre os diferentes partidos políticos agravou-se e começou a guerra civil. Impotente perante os factos, a administração portuguesa abandonou Timor e, em 28 de novembro de 1975, a FRETILIN declarou a independência da República Democrática de Timor-Leste. Dez dias depois a Indonésia invadiu o território.
Depois da ocupação do território, organizou-se a resistência maubere, que se instalou nas montanhas de Timor, liderada por Xanana Gusmão.
A 12 de novembro de 1991 deu-se o massacre de Santa Cruz, cujas imagens foram filmadas e divulgadas pelo mundo todo. Durante uma manifestação a favor da independência de Timor-Leste as forças de segurança indonésia abriram fogo contra civis desarmados, causando a morte de cerca de 250 timorenses. Em novembro do ano seguinte, Xanana Gusmão foi capturado e enviado para Cipinang, a prisão indonésia de mais alta segurança. Estes acontecimentos foram decisivos para a tomada de consciência do genocídio e da fome causados por duas décadas de ocupação indonésia, há muito denunciados pela Diocese de Díli. Também o governo português procurou chamar a atenção da Comunidade Internacional para a violação dos Direitos do Homem que se estava a verificar em Timor-Leste.
O general Suharto manteve-se no poder até 1998, altura em que foi substituído pelo então vice-presidente Habibie. Com este novo líder o regime começou a dar sinais de abertura, e Habibie admitiu a realização de um referendo em Timor-Leste, a 30 de agosto de 1999, para que o povo pudessse optar entre a integração ou a autonomia.
No início de 1999, Xanana Gusmão passou para prisão domiciliária, vindo a ser libertado no início de setembro desse mesmo ano, dias após o referendo sobre a autodeterminação do povo timorense,
Os conflitos internos continuaram, com a organização de milícias pró-integracionistas, cujo objetivo era intimidar a população para que o seu sentido de voto no referendo fosse de recusar a autodeterminação.
Em maio de 1999 foram enviados para Timor os representantes das Nações Unidas, para fazer a observação da situação maubere e em junho iniciaram a preparação do referendo que se realizou a 30 de agosto de 1999. Em algumas regiões do território decorreu pacificamente, embora noutras se tivessem verificado represálias por parte dos integracionistas.
No dia 4 de setembro, a comissão da ONU anunciou os resultados do referendo, que foram de 78,5% de votos a favor da independência de Timor-Leste. Este resultado provocou uma reação violenta por parte das milícias pró-integração. Seguiu-se um período de violência contra a população timorense, logo condenada pela Comunidade Internacional.
No dia 15 de setembro, o Conselho de Segurança das Nações Unidas adotou a Resolução 1264 (1999), na qual, entre outros pontos, condenou todos os atos de violência perpetrados em Timor-Leste e apelou ao seu fim, exigindo que os responsáveis fossem apresentados à justiça; reconheceu a necessidade de assistência humanitária para os refugiados de Timor-Leste; autorizou uma força multinacional para restaurar a paz, que entrou no território no dia 19 de setembro de 1999, e responsabilizou as autoridades indonésias pela segurança do regresso dos refugiados timorenses.
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