luto

O luto resulta da perda definitiva de um objeto (representação mental do outro). É uma situação normal e reativa fase a uma situação de perda real de alguém que se ama.
Quando se perde um objeto amado, o sujeito necessita de fazer um rearranjo das suas forças psíquicas. A libido investida no objeto perdido tem de regressar ao Eu em luto, tornando-o triste e melancólico. De facto, as situações que acontecem no exterior podem induzir traumatismos reais e desses traumatismos o mais complicado de todos é o grupo das figuras que gostamos. Há alterações afetivas, já que não se pode reparar o objeto porque ele é irrecuperável e desapareceu de vez. O sujeito vai sentir falta de energia e desvalorização pessoal, o que conduz a um isolamento social.
Num luto perde-se um objeto que nunca mais vai voltar e há um período de desinvestimento de todo o mundo exterior para tentar organizar o significado e o valor dessa perda. Estes lutos não devem ser compreendidos como se tratando de uma depressão, embora esta faça parte do luto. Há que distinguir um sentimento de tristeza que vem de qualquer coisa que por vezes nem se sabe definir, de um sentimento de tristeza legítima, porque se perdeu algo de que se gostava. Nos casos de luto, fala-se de depressibilidade, que é a capacidade de se poder deprimir, de ser capaz de fazer um trabalho de luto e que funciona como sinal de boa saúde mental. Fazer o trabalho de luto é conquistar um novo objeto, que é a única saída para a perda recente. É como um preenchimento do vazio e da desertificação interior, uma substituição do objeto amado para se poder fazer uma reparação e sair da tristeza.
O luto, como reação normal à perda de um objeto importante, não se acompanha de regressão, sendo uma fase transitória e necessária de readaptação do investimento em novos objetos. Mas também existe um luto patológico, nestes casos, tal como no luto infantil, há uma fase inicial de negação, o sujeito nega a perda do objeto amado. A vivência do abandono afetivo real é negado, após o qual o objeto é idealizado. Este acontecimento vai bloquear o trabalho de luto, já que induz a um culto mágico da imortalidade do objeto perdido e a uma fixação no objeto idealizado visto como objeto ideal e insubstituível. Fala-se de luto em diversas perspetivas e não só em casos de perda de alguém. São exemplo de outras formas de luto: a perda de um membro por amputação e uma doença que limite a atividade do sujeito. Sempre que seja fruto de perdas mas com causas bem reais, fala-se de luto.
Freud encontrou uma correlação entre luto e melancolia e explicita que, de um modo geral, o luto é a reação à perda de um ente querido. Embora envolva graves afastamentos daquilo que constitui a atividade normal em relação à vida, jamais nos ocorre considerá-lo como sendo uma condição patológica e a necessidade de submetê-lo a tratamento médico. Em algumas pessoas, a reação à perda real produz depressão ao invés de luto, porém suspeita-se que essas pessoas possuam uma predisposição patológica à depressão. As características encontradas na depressão são as mesmas encontradas no luto, mas a diferença entre elas é que, no luto, não há perda da autoestima, como acontece na depressão. O trabalho do luto consiste na retirada de toda a libido ligada ao objeto amado que já não existe. Esta retirada da libido provoca uma oposição, pois as pessoas nunca abandonam de bom grado a posição libidinal, nem mesmo quando existe um substituto real. Porém, quando o luto chega ao fim, o ego está novamente livre e desinibido.
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