Manuel de Varziela
Escritor português, Manuel António da Silva Andrade nasceu a 16 de novembro de 1969, no lugar da Formiga, Concelho de Santo Tirso, sendo Manuel de Varziela o pseudónimo literário adotado na assinatura dos livros já publicados. Bisneto de um homem ligado à agricultura, trabalhador assalariado na Quinta de Varziela, em Santo Tirso, foi no funeral da sua avó paterna, que juntou todos os familiares, que optou por este pseudónimo, associado a um lugar que, marcando a vida da sua família, sempre esteve ligado ao seu imaginário infantil.
Começou a trabalhar com 19 anos de idade, por imperativos económicos, na área do marketing do ramo automóvel.
Frequentou o curso de Marketing e Comunicação do IPAM (Instituto Português de Administração e Marketing), que abandonou já na reta final, por não conseguir "encontrar-se" e rever-se nele. Então, dando continuidade à sua formação académica, matricula-se em Psicologia Clínica, e abraça definitivamente uma das suas paixões.
Com uma forte ligação à terra mãe, o autor manifesta muitas vezes o seu carinho e afeição por espaços que ocuparam a sua infância e juventude, enquanto momentos que lhe permitem lembranças. A tristeza invade-o quando sente a descaracterização do meio onde vive, por força dos interesses das grandes empresas imobiliárias.
Em 1995, publica o livro de poemas Por esta Avenida Sem Fim?,editado pela Brasília Editora. Prefaciando esta obra, Victor Fernandes avisa-nos de que o caminhar por esta avenida sem fim (metáfora das dificuldades que a humanidade enfrenta) não é tarefa fácil, sendo necessário estabelecer etapas para que o seu percurso se torne mais claro. Para isso, continua Victor Fernandes, é fundamental que encontremos (leia-se que o leitor encontre) a serenidade capaz de nos permitir desvendar as realidades "naïves", através da reflexão e descoberta de "cada palavra, cada frase, cada verso e cada poema".
Do conjunto de poemas antologiados neste livro, o autor elegeu, numa conversa informal, o Aos Avós de Varziela (poema lido no funeral de sua avó paterna). Identificando-se como um homem do povo "Sou de um povo hirto, forte: de tez morena da tarimba", o sujeito poético faz a apologia dos homens simples e explorados, enquanto suporte da sociedade, mas por ela esquecidos e ostracizados: "Desses maltratados, explorados, esquecidos: Na justiça, nas camas dos hospitais - porque há outros que se julgam mais!!"
Em 1997, também editado pela Brasília Editora, Manuel de Varziela publica o seu segundo livro, Quadras Deste Lugar à Margem, com um prefácio do músico Pedro Barroso.
Conforme o título indica, este é um livro de quadras. De quadras inquietas, enquanto fruto de uma reflexão atenta sobre o mundo que o rodeia. Englobando quadras intimistas, satíricas, humorísticas, brejeiras, artísticas e algumas quintilhas e sextilhas, reveladoras de um "pensamento cirúrgico e cáustico", este livro determina definitivamente o percurso do autor no meio literário português.
Em julho de 2001, o autor revela-se, de novo, agora como contista, publicando, com a chancela Campo das Letras Editores, Contos do Varziela. Conjunto de 20 contos, este é um livro que recria não só factos e personagens que fazem parte do imaginário passado do autor, mas também outros/outras que decorrem, no dizer do mesmo, da imaginação da "própria pena".
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