Manuel Fernandes de Sá

Manuel Pinheiro Fernandes de Sá nasceu no Porto. Licencia-se em Arquitetura pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto (ESBAP) em 1968, sendo ainda diplomado em Planeamento Urbano e Regional pela Universidade de Manchester em 1970. Em 1986 apresentou uma dissertação subordinada ao tema O Médio Ave - novas políticas municipais, obtendo o título de professor agregado da ESBAP. Anteriormente aí lecionou como assistente nas cadeiras de Urbanismo e Arquitetura desde 1972 e como professor associado da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP) desde 1986.
Integra entre 1987-1989 a AESOP (Association of European Schools Planning); o grupo Habitat entre 1983-1987 (estudo do desenvolvimento urbano clandestino na Área Metropolitana de Lisboa); é consultor para a área de urbanismo do Polo de Ciência e Tecnologia do Porto (PCTP) (1995); e vice-presidente da Associação Portuguesa de Urbanistas (1995-1999).
Ligado ao planeamento do território, efetua estudos urbanísticos e projetos de requalificação urbana. Realiza um sem-número de trabalhos desde 1973 na área do planeamento, incluindo planos gerais de urbanização (PGU), planos de pormenor (PP), planos de urbanização (PU), planos diretores municipais (PDM), estudos urbanísticos, loteamentos, bem como projetos de arquitetura, quase sempre determinantes do espaço público pela sua condição institucional ou cultural. Destaque para os PGU de Vale de Cambra (1973) e de Oliveira de Azeméis (1978-1979); os PP do Parque Turístico das Taipas (1980) e do Centro Cívico de Vila das Aves (1987); os PU de Lagoa, Açores (1982) e de um complexo turístico em Santa Margarida, Lousada (1990-1992), bem como os respetivos equipamentos e habitações, em coautoria com o arquiteto Francisco Barata; com este último efetua ainda o Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zona Envolvente (PUALZE), Lisboa (1992-1995). O PDM de Lamego (1990-1993) e na mesma cidade o PP do Bairro da Ponte (1994); o anteprojeto (1992) e o PP do núcleo da Maia do PCTP, bem como dos respetivos espaços públicos; e o Plano Estratégico do Vale do Ave (1995), entre muitos outros planos e projetos.
Ainda no âmbito do planeamento, tem trabalhos em Bissau, São Tomé e Príncipe e Marrocos (Casablanca), tendo sido assessor da Oficina de Planeamento, na elaboração do plano de Santiago de Compostela (1988-1989).
Em coautoria com Francisco Barata, além dos trabalhos já referidos, a Cooperativa de Habitação de Massarelos (95 habitações), Porto (1990-1995), a que foi atribuído o Prémio INH 1996 (Instituto Nacional de Habitação), e obtém o 1.º prémio no concurso para a conversão de um quarteirão em hotel de luxo na Ribeira, Porto (1996).
No âmbito da questão planeamento urbano versus projeto de arquitetura, o trabalho levado a cabo na marginal fluvial do Porto vem desmitificar e contrariar essa postura, provando o papel indutor do projeto na qualificação urbana, não sendo da exclusiva responsabilidade do planeamento urbano a boa gestão das cidades e do território (tal como o defendem muitos outros a nível nacional e internacional, como por exemplo o arquiteto holandês Wiel Arets).
Como referido, o projeto do arranjo urbanístico do setor da marginal do Douro entre a Rua Nova da Alfândega e a Alameda Basílio Teles (Massarelos) (1997-1998), e o projeto de requalificação urbana entre a citada Alameda Basílio Teles e o Passeio Alegre (1999) têm uma importância e um papel indutor na qualidade da cidade, que ultrapassa a obra em si mesma.
Coordenador técnico dos processos de revisão dos PDM de Santo Tirso e do Porto (2000), está ainda envolvido em quatro PP no âmbito do Programa Polis, promovido pelo Estado e que pretende valorizar e qualificar determinadas zonas das cidades que a tal se candidataram. São elas: Parque da Cidade em Viana do Castelo; Parque do Corgo em Vila Real; a Fraga em Vila Nova de Gaia; e a Seca do Bacalhau em Vila do Conde, todos em (2001- ).
Uma abordagem quer do território em geral quer da cidade em particular, desde as zonas mais consolidadas às mais periféricas e suburbanas, requer equipas multidisciplinares, de urbanistas, arquitetos, arquitetos paisagistas, engenheiros de diversas especialidades, geógrafos, sociólogos, economistas, artistas plásticos..., pelo que a maioria dos trabalhos referidos contou com a colaboração ou coautoria de vários especialistas nas respetivas áreas.

Como referenciar: Manuel Fernandes de Sá in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-12-11 16:43:42]. Disponível na Internet: