maoismo

Nome dado à política implementada por Mao Zedong, ou Mao Tsé Tung, na China. Mao Zedong fez parte ativa da fundação do Partido Comunista Chinês em 1921, e em 1927 liderou uma revolução de camponeses, após a rotura com o Kuomintang. No mesmo ano constituiu o Exército Vermelho e, na região de Hunan, um governo rebelde. Em outubro de 1934 iniciou-se a chamada Grande Marcha e Mao ocupou entretanto um posto que se tornou vitalício: o de chefe do Partido Comunista Chinês. Em outubro de 1949 instituiu-se oficialmente a República Popular da China e Mao tornou-se em 1954 presidente da república. Quatro anos antes a China tinha-se aliado à Rússia no contexto da Guerra Fria, tendo igualmente participado na guerra da Coreia em favor da Coreia do Norte e na do Vietname contra França. Contudo, as cordiais relações com a Rússia, que valeram à China a posse de tecnologia nuclear, regrediram assim que Mao Zedong percebeu que os soviéticos temiam a força que uma potência como a chinesa poderia alcançar. De facto, o "Grande Salto em Frente" de 1956 procurou tornar a China uma das potências mundiais, estipulando grandes objetivos de produção e investindo no fabrico de aço. Contudo, grassou a fome por diversas vezes na China, na sequência dos problemas causados pelo "Grande Salto em Frente" e do clima adverso. Censurados estes problemas pela Rússia e criticando, por sua vez, aquilo que achava ser permissividade, como a desestalinização, Mao Zedong cessou o contacto com os soviéticos entre 1960 e 1962, lutando ativamente contra o socioimperialismo da URSS, o revisionismo (que tentava apoderar-se do Partido Comunista para o transformar num órgão fascista ao serviço da burguesia, com figuras proeminentes como Thorez, Khroutchev e Togliatti) e o imperialismo da América do Norte. Paradoxalmente, em 1972 recebeu o presidente americano Richard Nixon, na sequência dos combates contra a Rússia de 1969, no rio Ussuri. Assim se tornou a China membro do Conselho de Segurança da ONU, antes da morte de Mao Zedong, em 1976. Em 1978, contudo, a conceção do chamado maoismo mudou drasticamente, com as reformas de Deng Xiaoping.
O maoismo caracterizou-se pela sua tendência marxista-leninista, considerando que a estrutura tradicional da sociedade provocava um elevado nível de pobreza e desigualdade social e recomendando uma constante análise das contradições na cultura, na sociedade e mesmo no seio do Partido Comunista. Assim, o maoísmo, considerado uma vertente fundamentalista do leninismo, preconizava a distribuição equitativa de bens e contrariava a ambição pessoal, considerando que mesmo durante o período socialista existiu ainda luta inter-classes. Tal conceito levou à Reforma Agrária de 1950, em que os grandes latifundiários foram expropriados para se proceder a um justa distribuição de terras, criando-se um cenário em que foi permitido aos que até à data tinham sido oprimidos exercerem vingança sobre os mais favorecidos (sendo o mais comum o envio destes últimos para os laogai, campos de trabalho). Os primórdios da Revolução Cultural (estribada num dos preceitos maoistas, em que qualquer revolução deveria adequar-se à realidade concreta do país em questão), que se começaram a fazer sentir em 1965, inauguraram um negro período na história da China, sendo que os jovens Guardas Vermelhos assumiram um radicalismo da doutrina maoista desrespeitando tudo aquilo que tinha até então formado durante milénios a China, desde a estima devida à idade às artes tradicionais, com o intuito de acelerar a construção da sociedade comunista. Uma das mais dinâmicas ativistas foi a própria mulher de Mao, Jiang Ching, que governou nos últimos anos de vida do marido. Contudo, após a morte do chamado Grande Timoneiro, esta revolução foi condenada.
Deve-se ainda referir que no mundo ocidental, em países como Bélgica, Noruega, Grécia, França, Itália, Espanha, Portugal (através da UDP, por exemplo), Alemanha e alguns dos ditos menos desenvolvidos de outros continentes, como o Peru (guerrilha maoísta do Sendero Luminoso), entre outros, houve tentativas de implantação da doutrina maoísta. Na Albânia, por exemplo, o regime de Enver Hoxha foi todo ele maoista, tendo o país servido como centro de formação de células maoístas, como por exemplo da UDP portuguesa.
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