Marcel Aymé

Escritor francês, Marcel Aymé nasceu a 29 de março de 1902 em Joigny. Sexto e último filho de um militar de carreira, perdeu a mãe com apenas dois anos de idade, pelo que foi entregue aos cuidados dos avós, na aldeia de Villers-Robert. Dadas as convicções fortemente clericais do avô, só foi batizado após a sua morte, ocorrida em 1908. De novo foi atraiçoado na sua afeição, com o falecimento da avó em 1910, e de novo foi forçado a mudar de residência, indo viver primeiro para junto de um tio moleiro, com quem permaneceu alguns meses até ser colocado num colégio como aluno interno.
Em 1918 conseguiu concluir os seus estudos secundários, apesar de ter sido sempre um fraco aluno e, quando estava prestes a ingressar no ensino propedêutico na área da Matemática, com o intuito de se tornar engenheiro, adoeceu. Logo após o seu restabelecimento, em 1922, foi obrigado a cumprir o serviço militar e destacado para o Ruhr, a zona da Alemanha que, em consequência da Primeira Grande Guerra, se encontrava sob ocupação francesa.
Regressando ao seu país em 1923, Marcel Aymé rumou até Paris, onde exerceu diversas profissões. Assim, depois de ter sido bancário e mediador de seguros, conseguiu uma colocação como jornalista numa agência noticiosa. Novamente acamado em 1925, Aymé escreveu o seu primeiro romance BruleBois (1926), facto que determinou a sua decisão de vir a tornar-se escritor profissional.
Seguiram-se Aller-Retour (1927), La table aux crevés (1929), obra galardoada com o Prémio Renaudot, entre outros trabalhos. Conseguiu consagrar-se finalmente em 1933, com o aparecimento de La Jumente Verte, romance irónico bastante elogiado pela crítica.
Com a deflagração da Segunda Guerra Mundial, a obra de Marcel Aymé, que até então primava pelo humor, como em Contes du chat perché (1934, Contos do gato no poleiro), tornou-se mais sombria, concentrando-se no sofrimento da espécie humana. Le Passe Murailles (1943, O Passa-Paredes), La vouivre (1943, A ninfa e as serpentes), La traversé de Paris (1947) e Uranus (1948), constituem exemplos de trabalhos influenciados pelo mal-estar da guerra.
Convidado a ir viver para os Estados Unidos, Marcel Aymé detestou o modo de vida dos norte-americanos, pelo que reagiu com La mouche bleue (1957) e Louisiane (1961).
Dedicando a última fase da sua vida sobretudo ao teatro, com peças como (La Tête des autres, 1952), Marcel Aymé faleceu a 14 de outubro de 1967, em Paris.
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