Maria Teresa Horta

Ficcionista, dramaturga, poeta e jornalista de profissão, Maria Teresa Horta frequentou a Faculdade de Letras de Lisboa, foi dirigente do ABC Cine-Clube e militante ativa nos movimentos de emancipação feminina, pertenceu à redação do jornal A Capital, dirigiu a revista Mulheres e dedicou-se ao movimento cineclubista português. Com a colaboração, ao lado de Maria Velho da Costa e Maria Isabel Barreno, nas Novas Cartas Portuguesas, obra reprimida pela censura e largamente difundida a nível internacional, o seu nome como autora ficou celebrizado dentro de um registo de exaltação do corpo, de libertação feminina e de denúncia das hipocrisias e repressões do mundo social. Como prosadora, inscreve-se numa tendência para a narração pluridiscursiva e desarticulada, impondo ao leitor, através dos vários registos estilísticos (discurso poético, epistolar, memorial, narrativo), a reconstituição de uma intriga que importa menos do que o teor excessivo da linguagem que a veicula ou que a indagação sobre a condição feminina em que cabe também a atualização do tema da paixão avassaladora, como no romance Constança H. Ligada à coletânea Poesia 61, onde participou com Tatuagem, para António Ramos Rosa, "Cada poema seu é um ato de desnudação que põe em causa as convenções da vida social e está para além das barreiras protetoras da dignidade e do pudor. (...) Contra a pobreza do mundo social, contra uma realidade ressequida e descarnada, o poeta realiza a transmutação vital que é uma verdadeira transformação orgânica e física do corpo humano (...). Seja direta, seja metafórica, a sua linguagem tem a ardência vital do corpo e a sua violência sensual é, em toda a sua irracionalidade, libertadora e subversiva." (Incisões Oblíquas, 1987, p. 126).

Como referenciar: Maria Teresa Horta in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-10-26 07:45:35]. Disponível na Internet: