Mariama Bâ

Escritora e professora senegalesa, Mariama Bâ nasceu em 1929, na cidade de Dakar. Oriunda de uma família abastada, o seu pai tornou-se ministro aquando da independência do Senegal. Com a morte da mãe, Mariama foi posta ao cuidado dos avós maternos, que lhe providenciaram uma educação tradicionalista e em Francês, e que a enviaram para uma escola corânica, onde se tornou uma aluna proeminente. Nos exames finais, ganhou um primeiro prémio, pelo que foi admitida na Escola Normal de Rufisque, perto de Dakar. Durante este período, Mariama Bâ estreou-se como escritora, ao publicar um ensaio sobre a educação colonial no Senegal.
Terminou os seus estudos em 1947, arranjando depois uma colocação numa escola primária. Casou com um político, Obèye Diop, de quem teve nove filhos. Por motivos de saúde, foi forçada a abandonar a carreira docente, ao fim de doze anos, passando desempenhar as funções de inspetora escolar.
Divorciando-se do marido, Mariama Bâ, com a tutela dos filhos, assumiu-se como uma "mulher muçulmana moderna", pelo que começou a fazer parte de organizações feministas, promovendo a educação e os direitos da mulher através de campanhas, discursos e artigos de imprensa. Após um longo período de agonia, Mariama Bâ faleceu vítima de cancro, em 1981.
Seis meses depois da sua morte, foi atribuída à sua obra Une Si Longue Lettre (1980) o prémio Noma. O livro é apresentado como uma carta, escrita pela protagonista, uma viúva de nome Ramatoulaey, à sua amiga de infância, que vive nos Estados Unidos. Romatoulaey conta à amiga como o marido a tinha abandonado por uma das colegas da filha. A autora faz, no fundo, uma reflexão sobre o curso da sua vida e as consequências das suas decisões, estudando o desejo e o instinto, confrontando-os com os preceitos do Islão e as necessidades do mundo moderno, como a contraceção.
O seu romance Un Chant Écarlate (1981) foi publicado postumamente. Nele a autora conta a história da filha de um diplomata francês que casa com um negro senegalês, pobre e muçulmano, e analisa a visão ocidental sobre a poligamia.
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