Marília Pêra

Atriz brasileira, Marília Marzullo Pera nasceu a 22 de janeiro de 1943, no Rio de Janeiro. Os seus pais eram atores amadores, tendo mesmo contraído matrimónio num palco de teatro. A sua infância foi passada nos bastidores, tendo-se estreado aos 10 anos ao lado dos pais na peça Medéia. Estudante de ballet clássico, considerou seriamente abraçar a carreira de bailarina, mas desistiu devido à falta de oportunidades de emprego. Assim, aos 15 anos, conseguiu arranjar emprego no corpo de baile da TV Tupi, participando como dançarina em vários programas recreativos. Participou também em diversas peças musicais, antes de abraçar uma carreira como atriz profissional. Uma das suas primeiras peças - Roda Viva (1964) -, foi proibida pela censura devido a cenas de nudez, o que originou um unânime movimento de solidariedade de toda a classe artística brasileira. Estreou-se em telenovelas protagonizando Rosinha do Sobrado (1965). Chegou também ao cinema, interpretando O Homem Que Comprou o Mundo (1967). Mas foi no teatro que atingiu a aclamação dos críticos, protagonizando marcos históricos como Fala Baixo Senão Eu Grito (1969), Dona Margarida (1973), Uma Rosa Com Amor (1978) e Doce Deleite (1981), em que contracenou com Marco Nanini e que foi uma das peças de maior sucesso do Brasil contemporâneo, tendo estado quase um ano em exibição. No ano anterior, esteve presente no filme Pixote - A Lei do Mais Forte (1980), um retrato violento dos meninos de rua e da marginalidade nas grandes metrópoles. A sua personagem da prostituta Suely nesse filme valeu-lhe o Prémio Internacional da Associação dos Críticos dos EUA e algum prestígio a nível internacional. No auge do êxito, o carisma da sua personagem Alice na série televisiva Quem Ama Não Mata (1982) alertou a opinião pública brasileira para o problema da violência conjugal. Considerada já uma das grandes damas teatrais, foi convidada em 1985 para ir a Nova Iorque com a sua peça Brincando em Cima Daquilo. Na televisão encarnou papéis memoráveis: na telenovela Brega & Chique (1987) foi Rafaela Alvaray, uma milionária que sofre um desfalque do marido (Jorge Dória) e que para sustentar a família vê-se obrigada a vender marmitas. Personificou a malévola criada Juliana na adaptação do romance de Eça de Queirós O Primo Basílio (1988) e protagonizou as telenovelas Lua Cheia de Amor (1990) e Meu Bem Querer (1998). Um dos seus maiores triunfos teatrais foi o musical Callas (1996), onde interpretou a figura da diva da ópera Maria Callas, e esteve também associada, ainda que como atriz secundária, ao sucesso do filme Central do Brasil (1998). Posteriormente participou em algumas séries televisivas, como Os Maias (2001) e Começar de Novo (2004), e filmes como Seja o que Deus Quiser (2002), de Murilo Sales, e Vestido de Noite (2004), de Joffre Rodrigues.
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