Mário Beirão

Poeta português nascido a 1 de maio de 1890, em Beja, e falecido a 19 de fevereiro de 1965, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, exerceu a função de conservador num Registo Civil. Colaborou em A Águia e Portucale, tendo uma parte substancial da sua obra poética (Cintra, O Último Lusíada, Ausente, Lusitania e Pastorais) sido publicada pelas edições da Renascença Portuguesa, sociedade constituída, após a instauração da República, com o objetivo de promover o ressurgimento cultural nacional. Integrado no movimento poético do saudosismo, Óscar Lopes aponta ao autor o seu papel de precursor do Neorrealismo, pela secção "Bronzes" de O Último Lusíada (cf. LOPES, Óscar - Entre Fialho e Nemésio, vol. II, Lisboa, INCM, 1987), ao mesmo tempo que o inclui numa modernidade que "não está só na forma como tratou em verso, e em verso de inesperado efeito métrico e rítmico, os problemas da narrativa - recorrendo com familiar à-vontade a processos pós-naturalistas que só se vulgarizaram entre nós depois da Presença -, mas na expressão subjetiva que modelou verbalmente, e que é um dos momentos líricos mais intensamente sonoros da língua portuguesa." (cf. Id., ibi., p. 8). Essa modernidade fica, porém, aquém de processos de desdobramento do sujeito poético, relevando antes de uma poética que, situada na convergência de correntes finisseculares, neorromânticas e saudosistas, aponta sobretudo para valores lusitanistas, para a indignação perante a injustiça social e para a inquietação metafísica, ao mesmo tempo que investe num cuidado apuro formal.
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