Mário Laginha

Pianista e compositor português, Mário Laginha nasceu no dia 25 de abril de 1960, em Lisboa. Fez a formação musical no Conservatório Nacional e terminou o Curso Superior de Piano com a classificação máxima.
Tanto no jazz, como na música erudita, é um dos pianistas portugueses mais versáteis, o que lhe proporcionou vários prémios e participações em certames nacionais e estrangeiros. Com o Sexteto de Jazz de Lisboa tocou em numerosos festivais, como os Edinburgh International Jazz Festival, Brecon Jazz Festival, The Maltings Proms, Terceiro Festival de Jazz de Macau (1985), Bienal das Artes de Barcelona e 15.º Festival de Jazz de Cascais.
Em 1987, ano em que foi considerado pela crítica especializada o melhor músico de jazz português, formou o Decateto Mário Laginha, com o qual participou no Festival Jazz em agosto, na Fundação Gulbenkian, e onde a totalidade dos temas interpretados foram da sua autoria. Em 1989 foi selecionado para a fase final do Concurso Internacional de Piano Jazz Martial Solal. No ano seguinte foi distinguido com os prémios de Melhor Composição, Melhor Instrumentista e Melhor Grupo (referente ao seu quarteto) pelo Concurso de Jazz e Música Improvisada, promovido pela Secretaria de Estado da Juventude e integrado no programa Cultura e Desenvolvimento.
Mário Laginha tocou ao lado de prestigiados artistas, destacando-se Trilok Gurtu, Christof Lauer, Howard Johnson, Julian e Steve Argüeles, Lou Donaldson, Al Grey e Laureen Newton.
Com o pianista Pedro Burmester editou Duetos, registo ao vivo de um espetáculo no Centro Cultural de Belém, em dezembro de 1993.
A colaboração com a cantora de jazz Maria João deu origem a um dueto de renome internacional. Com ela tocou por toda a Europa em festivais tão prestigiados como Montreux Jazz Festival e Festival do Mar do Norte (Holanda), entre muitos outros. Em termos de gravações, participou com o grupo Cal Viva no álbum Sol (1991), e, em 1993, gravou o registo "Danças" em duo com a Maria João. Em 1996, gravou Fábula, disco que contou ainda com a participação de Ralph Towner, Manu Katché, Dino Saluzzi, Kai Eckhardt de Camargo e Ricardo Rocha. Da encomenda de um trabalho temático centrado sobre as músicas do Índico, feita para a Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, resultou o álbum Cor, com música de Mário Laginha, letras de Maria João e a participação de Wolfgang Muthspiel e Trilok Gurtu. Laginha foi ainda responsável pela maior parte das composições e de todos os arranjos no álbum de Maria João, Lobos, Raposas e Coiotes (1999).
Ainda no âmbito das gravações, participou num trabalho produzido por Wayne Shorter e noutro do Sexteto de Jazz de Lisboa.
Em 1994, editou o seu primeiro álbum, Hoje, registado em quinteto com o saxofonista Julian Argüeles, o guitarrista Sérgio Pelágio, o contrabaixista Bernardo Moreira e o baterista Alexandre Frazão.
Em novembro de 1999, participou, ao lado de Maria João, nos concertos Portugal Pop Classics, que levaram aos Coliseus de Lisboa e do Porto artistas portugueses das várias áreas da música em conjunto com uma orquestra de formato sinfónico. 2002 foi o ano de edição de Undercovers, um álbum que inclui versões muito personalizadas de temas que Mário Laginha e Maria João selecionaram, como, por exemplo, "Wake Up Dead Man" (U2), "Unravel" (Bjork), "Tom Traubert's Blues" (Tom Waits), "Love Is The Seventh Wave" (Sting) e "Esse Seu Olhar" (António Carlos Jobim).
Como compositor, escreveu para diversas formações, destacando-se a Big Band da Rádio de Hamburgo e trio solista (com Maria João, Christof Lauer e ele próprio), para a qual escreveu "Música Para Piano, Saxofone, Soprano, Bateria e Orquestra", e ainda o grupo Almas e Danças.
Atualmente, para além dos projetos com Maria João, Mário Laginha mantém um trabalho regular com o pianista Bernardo Sassetti, Em 2003, destaca-se, ainda, a composição da música original da peça de teatro "Estudo para Ricardo III" e a colaboração no projeto "Movimentos Perpétuos", que visa homenagear o grande mestre da guitarra portuguesa, Carlos Paredes.
O trabalho com Sassetti deu origem a um disco Mário Laginha/Bernardo Sassetti (2003), com 13 temas, oito do reportório habitual, dois novos originais ("A 2ª Gaveta a Contar de Cima" e "Diabolique") e três imprevistos, assim chamados por não fazerem parte do plano inicial. Estes três temas surgiram como momentos de descompressão no final de cada dia de trabalho e são totalmente improvisados.
Como referenciar: Mário Laginha in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-08-24 13:10:30]. Disponível na Internet: