Martin Andersen-Nexø

Escritor realista dinamarquês, Martin Andersen-Nexø nasceu a 26 de junho de 1869, nos arredores mais desfavorecidos de Copenhaga. Oriundo de uma família muito pobre, Martin tinha onze irmãos, um pai alcoólico, pedreiro de profissão, e era neto de um ferreiro alemão.
Quando contava onze anos de idade, a família mudou-se para a pequena cidade de Nexø, situada na ilha de Bornholm. Foi o nome desta cidade que Martin adotou como parte do seu pseudónimo, em 1894. Contando com o auxílio de um benfeitor, Martin Andersen pôde frequentar a escola, trabalhando, no entanto, como caseiro, pastor, aprendiz de sapateiro e ajudante de pedreiro.
Entre 1894 e 1896, repartindo o seu tempo entre os estudos numa escola superior popular e as viagens (por Espanha e pela Itália, onde foi aprendiz de sapateiro remendão, e pela Dinamarca, onde desempenhou trabalhos precários), Martin Andersen acabou por se formar como professor no ano de 1897, conseguindo arranjar uma colocação em Odense. Tendo adotado a ideologia socialista, publicou a sua primeira coletânea de contos em 1989, Skygger, em que retrata a miséria humana de forma realista e desiludida. Seguiram-se Det Bødes der For (1899), En Moder (1900). Com o sucesso de Familien Frank, aparecido em 1901, Martin Andersen-Nexø abandonou a carreira docente para se dedicar em pleno à escrita.
Os seus romances retratam a vida dos mais desfavorecidos e procuram elevar a consciência social através do humanitarismo. Entre 1906 e 1910 foram publicados os quatro volumes de Pelle Eriberen, um romance quase autobiográfico que foi considerado pela crítica como um clássico da literatura dinamarquesa. Continuando o seu hábito de escrever longos romances, cuja criatividade surge da mundivisão marxista, Nexø levou ao prelo, entre 1917 e 1921, Ditte Menneskebarn, obra pessimista que procura apontar os aspetos desumanos no capitalismo.
Num período compreendido entre 1923 e 1930, o autor residiu na Alemanha e, regressado à Dinamarca, foi detido pelas autoridades sob a acusação de comunismo. Refugiou-se na Suécia e, pouco depois, mudou-se para a então União Soviética. Acabou por tomar guarida na então República Democrática Alemã, em 1949, e aí veio a falecer, na cidade de Dresden, a 1 de junho de 1954.
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