Martinhada

Considerado um dos episódios mais importantes do processo revolucionário português, a Martinhada significou a separação das fações sociais e políticas que apareceram juntas na revolta de 1820 devido à conjuntura política. Assim, no seio da massa revolucionária estavam latentes orientações antagónicas, quer sociais, quer políticas, ou mesmo pessoais. Toda a questão começou com a forma como foram convocadas as últimas Cortes Constituintes. Contrariamente ao que se havia proposto à Junta das Cortes, não foi seguido o modelo espanhol das Cortes de Cádis de 1812. Os militares indignados, liderados pelo marechal Gaspar Teixeira de Lacerda (1763-1838), convocaram uma concentração militar e civil junto da sede do Governo para o dia 11 de novembro (dia de S. Martinho), com o objetivo de imporem as suas disposições, à qual aderem conservadores e absolutistas. Contudo, a resposta rápida de alguns dirigentes liberais, de vários chefes militares, de homens do comércio, da Maçonaria e da imprensa fez fracassar esta conspiração, estando a situação serenada e resolvida a 17 de novembro. Este incidente terminou com o afastamento definitivo das forças conservadoras e absolutistas da revolução vintista e da sua radicalização num caminho liberal.
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