Marvin Gaye

Cantor norte-americano, Marvin Pentz Gaye Jr. nasceu a 2 de abril de 1939, em Washington DC.
Durante a década de 50 participou em diversos projetos musicais, não conseguindo atingir a notoriedade em nenhum deles. Na década de 60 participou como baterista em várias gravações da Motown, prestigiada editora da música negra.
Foi com o tema "Stubborn Kind of Fellow" (1962), o quarto da sua carreira a solo, que conseguiu o primeiro sucesso. Apesar disso, esse e os dois temas seguintes ("Hitch Hike" e "Can I Get A Witness") tiveram passagens efémeras pelas tabelas de vendas, atingindo momentaneamente os primeiros 30 lugares. Apenas em 1963 Marvin Gaye conseguiu o seu primeiro sucesso, chegando aos primeiros 10 lugares das tabelas americanas, com o tema "Pride And Joy". O primeiro longa-duração a atingir vendas significativas foi Together (1964), uma coleção de duetos com Mary Wells. Desse registo surgiram alguns singles com sucesso considerável, entre os quais "Once Upon A Time" e "What's The Matter With You, Baby?". Nesta fase, a carreira a solo do cantor florescia, tendo conseguido três êxitos com as canções "Ain't That Peculiar", "I'll Be Doggone" e "How Sweet It Is (To Be Loved By You)", lançados em 1965. O cantor não abandonou a fórmula dos duetos, seguindo-se trabalhos com Kim Weston (o single "It Takes Two") e Tammi Terrell, com quem interpretou alguns temas de sucesso, como "Ain't No Mountain High Enough" (1967), "Your Precious Love" (1967), "Ain't Nothing Like The Real Thing" (1968) e "You're All I Need To Get By" (1968). Este dueto acabaria por ser desfeito com a morte de Tammi Terrell em 1970. Ainda antes disso, Gaye já tinha lançado o seu grande êxito "I Heard It Through The Grapevine" (1968). Seguiu-se uma fase algo problemática, durante a qual o cantor enfrentou alguns problemas pessoais que parecem ter perturbado a sua carreira musical. No início dos anos 70, o cantor manifestava uma mudança de orientação, aproximando-se das sonoridades jazz, carregadas com um simbolismo sexual. O apogeu dessa perspetiva musical aconteceu no longa-duração Let's Get It On (1973), o mais bem-sucedido disco do cantor. Seguidamente, Marvin Gaye protagonizou duetos com Diana Ross, registados no disco Marvin and Diana (1973). Posteriormente, apesar de ter retomado o trabalho individual, o cantor viu-se envolvido num divórcio litigioso, fator que contribuiu para atrasar os lançamentos seguintes. Para preencher esse hiato, a Motown lançou Live At London Palladium (1977), dando origem ao seu último número um "Got To Give It Up (Pt. 1)". O álbum seguinte, sardonicamente intitulado Here, My Dear (1978), ficou marcado pela obrigação do cantor em ceder os proventos da venda do disco à sua ex-mulher. Marvin voltou a casar e a gravar, mas o fracasso do single "Ego Tripping Out" levou à desistência de lançar Lover Man. Por esta altura, os problemas com as drogas e com a sua segunda esposa levaram-no a mudar-se para o Hawai, no sentido de reordenar a sua vida. Depois, o cantor foi para a Europa, por força de alguns problemas fiscais com a Administração americana. O corolário destes problemas foi a desvinculação da Motown, na sequência da eventual desvirtuação do seu trabalho In Our Lifetime (1981). Assinou com a Columbia, envolvido em polémicas sobre a adição à cocaína. Todavia, o cantor conseguiu emergir e lançou Midnight Love (1982), um longa-duração que continha um dos seus grandes êxitos, "Sexual Healing", tema que lhe valeu um grammy. Uma estrela renascia. A sua última aparição pública aconteceu no jogo All-Stars da NBA (1983), numa interpretação controversa do hino americano. Os seus problemas com as drogas agravaram-se e regressou aos EUA, para viver com os pais. Contudo, este retorno propiciou uma série de discussões com o pai, agravando o seu estado depressivo e levando-o a tentar o suicídio em várias ocasiões. Em abril de 1984, na véspera do 45.º aniversário, Marvin Gaye foi morto pelo próprio pai, na sequência de uma discussão acalorada. Em homenagem póstuma, a Motown e a Columbia uniram-se para a edição de Dream Of A Lifetime (1985) e Romantically Yours (1985).
Em 1987 foi induzido ao Rock and Roll Hall of Fame.
A sua obra tem sido alvo de diversas reedições e compilações, destacando-se a edição de Anthology (1995), com 43 temas, em mais de duas horas e meia de música, homenageando um dos nomes incontornáveis da soul romântica.
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