Matai-vos Uns aos Outros
"Croniqueta de província", redigida em Paris, em 1958, a narrativa é protagonizada pelo agente da judiciária António Santiago, destacado para Vila Velha para averiguar a morte de um rico proprietário, Manuel dos Santos, que morrera envenenado depois de uma ceia com dez amigos. Colhendo estratégias narrativas firmadas pelo neorrealismo, e submetendo-as à estrutura do romance policial, a narrativa é construída através da alternância e oposição entre o discurso interior do agente, em itálico, e o discurso das diversas testemunhas. Além da paródia ao intertexto bíblico, visível desde o título e corroborada com múltiplas outras alusões que invertem o sentido da mensagem evangélica ("o assassino está no meio de nós"), o romance, que tem como pano de fundo um contexto da repressão policial sobre o povo de Vila Velha, formula uma crítica à desumanização capitalista: "Ele não sabia, nem os seus pares o sabem, que são condenados à espera da morte, cadáveres em cata de sepultura!... E são-no, na medida em que a grandeza deles é feita do empobrecimento de outrem... Mas eles não o sabem, ninguém o sabe... [...] De onde vêm? Para onde vão? Não sabem. Ninguém sabe. Vivem, sem curar desvendar o sentido dos seus atos. Nada!..."
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Matai-vos Uns aos Outros na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$matai-vos-uns-aos-outros [visualizado em 2026-07-04 10:47:09].
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