materialismo dialético

O materialismo dialético é conhecido como o método marxista, que se desenvolve a partir da crítica à filosofia idealista alemã, nomeadamente de Hegel - do qual retém os princípios da dialética (totalidade, contradição, mudança) -, à economia política inglesa de Smith e Mill e ao socialismo utópico francês de Proudhon.
Começando por alinhar com os hegelianos de esquerda e com o materialismo de Feuerbach, Marx e Engels, acabam por rebater não só o idealismo hegeliano como a insuficiência do materialismo de Feuerbach, por ser "essencialmente mecanicista" e, porque despido de dimensão histórica e dialética, ao nível abstrato nas suas considerações sobre o 'ser humano' (também Lenine).
Contrariamente às conceções céticas e agnósticas, o mundo e a sociedade são cognoscíveis e o conhecimento sobre a Natureza e a sociedade é suscetível de ser sujeito a processos de verificação e de validação, tendo como critério fundamental não a função ordenadora do espírito, como diria Kant, mas a prática, a práxis. O cérebro, enquanto órgão do pensamento e da consciência, é ele próprio produto da matéria, da Natureza (Engels). No processo de conhecimento da realidade dever-se-ão articular dialeticamente a via dedutiva e a indutiva, o dedutivo e o indutivo, o abstrato e o concreto, o geral e o particular. Associado que está o materialismo histórico ao método dialético, este poder-se-á definir por três características:
(i) a Natureza não é a simples acumulação de objetos, mas constitui uma totalidade de fenómenos dependentes de condições materiais e articuláveis em processos de interdependência, contradição e unidade com e no seio da própria sociedade;
(ii) a Natureza e a sociedade não são estáticas mas dinâmicas, sendo as suas partes integrantes (objetos, indivíduos, grupos/classes) sujeitas ao devir social e histórico, ou seja, a diferenciados processos de nascimento, desenvolvimento e morte e em contínuos processos de tese, antítese e síntese;
(iii) o processo de evolução/desenvolvimento, presente e aplicável não só nas Ciências Naturais como nas Ciências Sociais não conhece nem sofre mudanças quantitativas ao infinito, mas, em certos momentos e conjunturas, pode dar lugar a transformações ou saltos qualitativos.
O materialismo dialético afirma o carácter objetivo das Ciências Naturais e Sociais, mas, contrariamente quer ao positivismo, quer à sociologia weberiana, desconstrói o mito da neutralidade axiológica e contraria a distinção positivista entre ser e dever ser, entre factos sociais e valores sociais.
O materialismo histórico e dialético, tendo conhecido um período de relativa fossilização e esterilização durante o estalinismo, foi sendo enriquecido por diversas contribuições de marxistas e marxizantes, não só da Europa Central e do Leste, como da Europa Ocidental, nomeadamente, para além das contribuições de Lenine, da escola austro-húngara (Adler, Bauer, Hilferding) e de outros como Mehring e Labriola, Lukács, Korsch, Luxemburgo, Gramsci, Lefebvre, Althusser, Marcuse e Habermas.
O marxismo, contudo, tem sido rebatido por teóricos de diversas correntes sociológicas, sendo de destacar não só Weber mas sobretudo Durkheim, Parsons e alguns dos mais recentes teóricos neoliberais e neo-institucionais, sendo de relevar, entre outros, Popper, Dahrendorf ou Parkin.
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