matriarcado

O matriarcardo consiste num sistema de descendência materna ou matrilinear, em que o poder e a responsabilidade familiar são, geralmente, assegurados pelo irmão da mãe, ou seja, o tio materno. O indivíduo está socialmente ligado aos seus ascendentes por via materna (a criança pertence à linha materna de descendência - matrilinearidade), embora o poder e o controlo social continuem nas mãos dos homens, na medida em que é, geralmente, o tio materno quem exerce a autoridade sobre os sobrinhos, filhos da irmã.
O sistema matriarcal, que, sendo raro, se encontra sobretudo em sociedades ditas primitivas (tendo algumas dessas sociedades matriarcais passado a patrilineares), é geralmente acompanhado da residência do casal em casa da famíla da mulher (matrilocal), ou numa casa própria próxima da família da mulher (uxorilocal) e mais raramente da família do marido (virilocal).
Cai Hua, um etnólogo chinês, analisou um sistema matrilinear puro numa tribo rural do Sul da China. A consanguinidade é só determinada pelos laços com a mãe (não há qualquer ligação ao progenitor, que, aliás, nem precisa de ser conhecido): "um indivíduo é consanguíneo da sua mãe e, portanto, consanguíneo dos outros consanguíneos da sua mãe" (1998, Cai Hua - Une société sans père ni mari, les Na de Chine. Paris: PUF). As regras da transmissão do nome e da transmissão dos bens são matrilineares (os bens são comuns dentro de uma linhagem), e os consanguíneos de uma linhagem de diferentes gerações vivem em conjunto, em permanência. Entre as gerações existe uma relação de subordinação e de obediência, em que o domínio masculino é relativo, sendo a autoridade da idade mais importante. Perante as crianças, o tio materno desempenha um papel semelhante ao papel do pai noutras sociedades. O autor dá conta da existência de três regras matrilineares nesta comunidade: consanguinidade economia e afeição.
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