matrifocalidade afro-americana
O sistema social do patriarcado, o domínio familiar masculino e o decorrente controlo e discriminação económica do feminino têm vindo a dominar as sociedades desde a Antiguidade até aos nossos dias, assumindo diferentes formas e expressões. Apesar das exceções a este protagonismo social e económico do homem com posições dominantes assumidas por parte das mulheres na sociedade, estas nunca assumiram formas puras de matriarcado, se entendermos o matriarcado como o oposto de patriarcado, ou seja, o inerente domínio feminino e subjugação económica do masculino.
A estrutura das famílias afro-americanas é considerada, nesse sentido, uma exceção ao patriarcado assumindo uma forma não matriarcal mas matrifocal, ou seja, a concentração na mulher do controlo e da autoridade das famílias que são baseadas na consanguinidade. Este fenómeno existe desde a época da escravatura, dado que as mulheres foram forçadas a assumir a liderança da família, tanto em termos económicos como de autoridade, devida à ausência permanente ou temporária dos homens.
A sociedade norte-americana não é a única a possuir este tipo de estrutura dado que certos países africanos com antecedentes de escravatura e forte incidência de imigração apresentam as mesmas características de matrifocalidade, assim como certos grupos étnicos da Indonésia, em Java ou na Nigéria em que a matrifocalidade é tradicional e cultural.
As famílias afro-americanas distinguem-se também pelo tipo de parentesco. À célula mãe-filho juntam-se os irmãos da mãe e um grupo de parentes consanguíneos que chega a atingir três gerações, constituindo uma família alargada que funciona como uma comunidade cooperativa em que todos, homens, mulheres e crianças, contribuem para a sobrevivência da família sujeita normalmente a grandes dificuldades económicas.
Mas o papel matrifocal da mulher não é só resultado de circunstâncias sociais e económicas. Essa centralização da família na mulher é estrutural e cultural dado que é ela que tradicionalmente transmite os valores culturais, funcionando como uma espécie de "âncora" ou "raiz". As mulheres afro-americanas são educadas para assumirem um papel ativo e de poder na sociedade e de socialmente interagirem independentemente dos homens. Na família afro-americana os laços consanguíneos entre mãe, filhos e irmãos são mais permanentes do que os laços decorrentes de relações conjugais.
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