Maurice Blondel

Filósofo francês nascido a 2 de novembro de 1861, em Dijon.
Foi mestre de conferências na Universidade de Lille, França, de 1895 a 1896, e na Universidade de Aix-en-Provence, na qual foi nomeado professor de Filosofia em 1897.
Em 1881 entrou para a Escola Superior Normal em França e passa a professor agregado em 1886. Como muitos jovens da sua geração, Blondel foi profundamente afetado pelas tensões da vida francesa, particularmente pelas querelas existentes entre o catolicismo e as instituições académicas francesas.
Blondel trabalhou desde 1882 numa tese sobre a ação, que caracterizava como sendo o princípio da conciliação da autonomia da razão com a obediência da fé e da teologia a uma autoridade externa. Defendida em 1893, na Sorbonne, em Paris, a sua tese intitulada A Ação foi um trabalho inovador e polémico e teve uma grande repercussão tanto entre os idealistas e positivistas como entre os católicos em geral. Mas era uma obra polémica e uns e outros lançaram-lhe críticas fervorosas. Os idealistas acusaram-no de tentar subordinar a razão à fé e os católicos acusaram-no de transigir as conceções subjetivas do modernismo, que podem pôr em risco a própria fé. Nessa altura, foi-lhe recusada uma posição importante numa universidade por ter tomado uma posição religiosa muito imprópria na sua filosofia. Em 1897, começa a dar aulas de Filosofia na cidade de Aix-en-Provence.
Mais tarde Blondel tentou responder tanto aos idealistas como aos católicos, publicando em 1896 a célebre Carta sobre as exigências do pensamento contemporâneo na matéria da apologia e sobre o método da filosofia no estudo do problema religioso. Em 1903 publica História e dogma, onde pretendia desenvolver e aprofundar a metodologia que iniciou com a sua tese A Ação.
Em 1927, após a publicação de vários trabalhos, Blondel vê-se obrigado a deixar a sua cátedra de Filosofia, pois uma crescente cegueira e uma surdez impediram-no de exercer o ensino. Quase cego, só poderia trabalhar ditando. Mas, mesmo assim, de 1934 a 1937, publicou La Pensée (em dois volumes), L'être et les êtres e L'action (em dois volumes), da trilogia metafísica, a que se seguiu L'esprit chrétien, de que só dois volumes foram completados antes da sua morte em 1949.
A importância de Blondel foi enorme nos círculos de teólogos e católicos filósofos desde França, a Alemanha, Espanha, Itália e outros países. Juntamente com outros autores do século XX, Blondel é responsável pela "nova teologia", que teve um papel muito importante nas deliberações e argumentos do Conselho do Vaticano.
Poder-se-á dizer que o tema central do trabalho de Blondel é a complexa relação entre a imanência e a transcendência.
O objetivo do trabalho de Blondel teve três pontos fulcrais:
Em primeiro lugar, examinar as exigências da ação humana de forma a delinear as estruturas mais negligenciadas da dimensão vital da existência humana. Em segundo lugar, examinar e estudar as doutrinas dos pensadores e dos movimentos, para poder aceder às suas atitudes adequadas e poder expor as atitudes e práticas mais inadequadas, de forma a poder criar uma filosofia considerada mais interventiva, que foi algo de inovador que Blondel trouxe à sua época.
Finalmente, em terceiro lugar, colocar em prática o desenvolvimento de uma "filosofia sobre a insuficiência", mais explícita e articulada, que pode desenvolver uma forma mais compreensiva de tratar as relações entre a ação e o pensamento e onde o ser humano possa ser submetido a uma orientação histórica, social e que esteja em relação com o Absoluto.
Blondel morreu a 4 de junho de 1949, em Aix-en-Provence.

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