Mecenato

O mecenato, praticado desde a Roma Antiga, foi a forma mais comum de patrocínio dos produtores musicais, dos literários e dos artistas durante a época renascentista, uma vez que a arte era um trabalho manual mas simultaneamente digna de admiração pela beleza que saía das mão dos artistas. Recordamos que o termo mecenato provém do nome de um romano culto e muito rico (Caio Glínio Mecenas, c. 69 - 8 a. C.), refinado patrício que financiou um círculo de letrados e artistas da Roma do seu tempo, como Virgílio, que lhe dedicou as Geórgicas, ou Horácio. Foi poeta e prosador também, tendo deixado a sua enorme riqueza em legado a Augusto, primeiro imperador romano. Através do mecenato, artistas extremamente dotados mas nascidos entre as camadas inferiores da população podiam ter a oportunidade de se tornarem pintores de um patrono ou poderosa família. Estas famílias viam os seus membros imortalizados e glorificados pela arte para a eternidade, e a cultura de alguns destes poderosos senhores, como os Médicis, fazia com que sentissem necessidade de conversar sobre os mais diversos temas. Na verdade, durante os séculos XV e XVI o ressurgimento dos ideais clássicos levou à vontade de plasmar os mais proeminentes personagens como alguém detentor de um intelecto superior, em que a imagem retratada era enobrecida e manifestava claramente a sua posição e relação com a sociedade. O protetor das artes via assim o seu prestígio social aumentar, tal como os negócios das suas empresas ou instituições, se fosse o caso de os possuir. Os mecenas encontravam-se não só entre os homens da Igreja, como os papas Júlio II e Leão X (que patrocinaram a construção do túmulo do primeiro e a pintura "a fresco" da Capela Sistina, duas das obras mais importantes da História da Arte), como entre a nobreza e a burguesia enriquecida pelo comércio que pretendia conquistar estatuto superior através da demonstração pública de gosto e cultura. O patrocínio do mecenato verificou-se com mais insistência em Itália (para onde foram os intelectuais gregos de Bizâncio, conquistada em 1453), apesar de em zonas como a Flandres também se fizesse sentir com bastante força. O facto de cidades como Florença, Génova, Veneza, Roma, Pádua, Pisa, Milão, Nápoles e outras se tiverem dedicado com grande afinco ao incentivo da produção artística deve-se fundamentalmente à criação de universidades, à prosperidade do comércio com terras do Levante, Europa, ilhas gregas do Mar Egeu e Síria e ao declínio da estrutura feudal em favor dos grandes e poderosos centros urbanos, que mudou radicalmente o sistema de vida que até aí era comum inaugurando uma época de prosperidade e de antropocentrismo humanista.
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