Medeiros e Albuquerque

Escritor, político e professor brasileiro, José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque nasceu a 4 de setembro de 1867, no Recife, no Estado de Pernambuco (Brasil).
Estudou no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, e acompanhou o pai numa viagem pela Europa, em 1880. Depois, frequentou a Escola Académica de Lisboa, onde permaneceu até 1884 e, quando regressou ao Brasil, cursou História Natural, no Rio de Janeiro. Começou por lecionar, como professor primário adjunto, e contactou, nessa altura, com outros intelectuais, como Pardal Mallet e Paula Ney.
Defensor da abolição da escravatura e republicano, foi designado, após a proclamação da República, secretário do Ministério do Interior e vice-diretor do Ginásio Nacional, em 1892. Nessa época, desempenhou também os cargos de professor da Escola de Belas Artes (a partir de 1890), de professor de escolas de 2.º Grau (1890-1897) e de vogal e presidente do Conservatório Dramático (1890-1892).
Em 1894, foi eleito deputado federal por Pernambuco, conseguindo, durante as suas funções parlamentares, a aprovação para a lei dos direitos de autor. Em 1897, exerceu o cargo de diretor geral da Instrução Pública do Distrito Federal, mas demitiu-se do cargo, devido às suas posições políticas, opostas às de Prudente Morais, que o levaram a exilar-se na Embaixada do Chile. No entanto, conseguiu provar os seus direitos no tribunal e foi, consequentemente, reintegrado nas suas funções políticas.
Durante o quadriénio militar (1912-1916), passou a residir em Paris. Quando regressou ao Brasil, defendeu a participação do país na Primeira Guerra Mundial, numa campanha que conduziu à quebra das relações entre a Alemanha e o Brasil. Defendeu, ainda, Washington Luís na campanha da Aliança Liberal e, após a vitória da revolução de 30, refugiou-se na Embaixada do Perú.
Como jornalista, Medeiros e Albuquerque foi diretor de O Fígaro, durante a presidência de Floriano Peixoto, colaborou com vários jornais cariocas e trabalhou, juntamente com Alcindo Guanabara, no jornal Novidades, em 1888, e na Gazeta de São Paulo, entre 1930 e 1934. Utilizou, na imprensa, os pseudónimos Armando Quevedo, Atásius Noll, J. dos Santos, Max e Rifiúfio Singapura.
Membro fundador da Academia Brasileira de Letras, integrou a Comissão do Dicionário da Academia, foi redator da revista académica e secretário-geral da instituição de 1899 a 1917. Participou ainda em debates sobre a simplificação da ortografia.
Enquanto escritor, iniciou a sua carreira literária, em 1889, com a publicação das obras Pecados e Canções da Decadência, nas quais manifestou uma estética simbolista e decadentista. Os temas prediletos do poeta foram o sonho, a fantasia, a loucura e o pessimismo, através dos quais exprimiu o seu olhar mórbido sobre o mundo, a sua indisfarçável desesperança diante da vida e o seu espírito anti-cartesiano, anti-científico e ateu.
Para além daqueles livros de poesia, publicou também: contos, tais como Mãe Tapuia (1900), O Assassinato do General (1926) e Se Eu Fosse Sherlock Holmes (1932); romances; peças de teatro, como O Escândalo (1910); ensaios e conferências, destacando-se Em Voz Alta (1909), Graves e Fúteis (1922), Literatura Alheia (1914); memórias e viagens; pensamentos e polémicas; textos sobre política, como O Regime Presidencial no Brasil (1914) e Parlamentarismo e Presidencialismo (1932). De referir que o escritor foi também o letrista do Hino à Proclamação da República, cuja música é de Leopoldo Miguez.
Medeiros e Albuquerque faleceu a 9 de junho de 1934, no Rio de Janeiro.
Como referenciar: Porto Editora – Medeiros e Albuquerque na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-10-23 00:38:15]. Disponível em