Memórias do Capitão

Entre o registo autobiográfico construído numa prosa sugestiva que tem como cosmorama, nos anos de formação, a região duriense, e o testemunho histórico que revela uma inesperada capacidade de "transformar em arte a História de que participou" (SENA, Jorge de - prefácio a Memórias do Capitão, Porto, 1974), os caracteres que compõem esta obra ímpar no género memorialístico, de Sarmento Pimentel, foram enumerados por Jorge de Sena numa cuidada recensão onde aponta os seus principais travejamentos: "documento histórico, pondo a claro, sem reservas nem contemplações, pontos obscuros ou graves; memórias privadas, ressuscitando os costumes e as personagens, tão familiares e tão tumultuosos, da sociedade portuguesa de outras eras; criação artística, que a tudo dá o colorido próprio e o relevo justo, com especial predileção pelos contrastes violentos e pela amplificação satírica, que melhor sublinham o carácter multivário da vida; vigor do estilo, em que as grandes tradições da língua escrita mergulham na riqueza vocabular e expressional de uma erudição que é conhecimento e amor da fala pitoresca do nosso povo [...] autorretrato vivo de uma grande figura de português [...], exemplo de fidelidade aos ideais de independência de um povo, e de portuguesa dispersão pelo mundo". (id. ib., p. 13)
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