Mendes da Rocha

Arquiteto brasileiro, Paulo Archias Mendes da Rocha nasceu em 1928, na cidade de Vitória, no estado do Espírito Santo, Brasil. Estudou arquitetura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie de São Paulo, formando-se em 1954. No ano seguinte, fundou um gabinete próprio onde iniciou a sua atividade de elaboração de projetos, em grande parte em associação com João Eduardo de Gennaro.
Em 1957 assinou a sua primeira obra, o ginásio do Clube Atlético Paulista, formado por uma grande plataforma retangular com cobertura circular que se encontra praticamente suspensa. Neste projeto afirmam-se desde logo, e com notável precocidade, alguns dos princípios estéticos e conceptuais fundamentais que enformarão o seu trabalho criativo futuro.
Mais tarde, o arquiteto realizou dois projetos para edifícios museológicos: o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de S. Paulo, projeto de 1975, e o Museu Brasileiro de Escultura, construído na mesma cidade entre 1988 e 1994.
Das poucas obras que Mendes da Rocha construiu fora do seu país natal conta-se o Pavilhão do Brasil da Expo70, realizada em Osaca (Japão). Era formado por uma enorme estrutura em forma de caixa invertida que constituía a cobertura de uma praça pública de 1500 m2 e que se apoiava de forma simples sobre um terreno modulado de maneira a criar um espaço semi-interior, um abrigo. A monumentalidade do edifício é assegurada pela solidez das formas e dos materiais e também pelo magnífico espaço que cria.
Mendes da Rocha fez parte da escola de arquitetura paulista que integrava arquitetos como Ruy Ohtake e Joaquim Guedes e que, influenciados por João Vilanova Artigas ou, mais indiretamente, por Oscar Niemeyer ou Le Corbusier, projetaram grandes estruturas de betão armado com forte sentido escultórico, as quais procuram conciliar uma acutilante e ética resposta social com a vontade de estabelecer novas ordens urbanas. Estes arquitetos relacionam-se também com o neobrutalismo britânico, pelo uso poético dos materiais em bruto, como o betão armado, ao mesmo tempo que reinterpretam o minimalismo de Mies Van der Rohe ou a poética mística de Tadao Ando.
A Capela de S. Pedro, em Campos do Jordão, que se liga ao preexistente palácio da Boa Vista, é um dos trabalhos de Mendes da Rocha mais conhecidos, que lhe permitiu levar ao extremo as possibilidades poéticas do sistema de construção em betão. É um volume quebrado, poligonal, construído sobre um único pilar. Uma caixa de betão suspensa desenha dois níveis na fachada, sendo o inferior transparente e realizado integralmente em vidro. O espaço interior, pontuado por várias plataformas em diferentes níveis, articulados por escadas e marcado pela presença da água, aponta novamente para um certo primitivismo e para a procura da essencialidade que tão bem se coaduna com o programa sacro que sustenta o projeto.
Para além dos trabalhos de arquitetura, Mendes da Rocha abordou outras dimensões de projeto, nomeadamente através da realização de planos de urbanização de que se tornou paradigmática a megaestrutura da Cidade Porto Fluvial do rio Tiekê, 1980.
Mendes da Rocha exerceu atividade docente na Faculdade de Arquitetura e urbanismo da Universidade de S. Paulo, desde 1961. Foi ainda presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil em 1972 e em 1986. Participou em inúmeras exposições e conferências e venceu vários concursos de arquitetura. Em 1972 foi membro do Comité brasileiro do XII Congresso Internacional da UIA realizado na Bulgária. Em 2000 Mendes da Rocha venceu o Prémio Mies van Der Rohe de arquitetura latino-america.
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