Merovíngios

Presumivelmente descendente do rei franco-sálio Meroveu, que faleceu no ano de 457 (apontando-se também como ascendentes os Brúcteros e os Sicambros), esta dinastia franca teve o seu centro nas localidades de Tournai e de Cambrai. Foi durante a regência desta mesma dinastia que se lançaram as bases do que seria o Estado francês. O primeiro governante foi Meroveu, como se disse, sucedendo-lhe no trono Childerico e Clóvis. Este converteu-se ao Cristianismo e estreitou a ligação entre a Igreja e o Estado, conferindo ao soberano a legitimidade divina para governar na Terra e ganhando o apoio político de Roma. Clóvis estabeleceu a capital em Paris, por volta do ano de 507, e notabilizou-se ainda por ter posto fim ao reino visigodo de Toulouse, pois saiu vitorioso da batalha de Vouillé (507). Após a morte de Clóvis assistiu-se à divisão dos territórios entre os seus filhos, Clotário, Thierry, Childeberto e Clodomiro, prática que se faria costume de aí em diante e que daria origem à formação de reinos francos como a Aquitânia, a Nêustria, a Austrásia e a Borgonha. No ano de 558 o filho de Clóvis, Clotário, torna de novo o reino uno, como no tempo dos seus antecessores, mas este estado durou apenas até à sua morte, visto que os seus sucessores (Gontrão, Sigeberto, Carisberto e Chilperico) voltaram a dividir os territórios entre si. Houve contínuas batalhas entre eles para alargarem os seus territórios, terminando com a ascensão ao poder de Clotário II, em 614. Apesar de, a partir desta data, passar a existir de novo um governante supremo, iniciou-se o declínio da dinastia, que se apoiou politicamente nos "prefeitos do palácio" (primeiros-ministros ou mordomos) e lhes conferiu um poder extraordinário. Assim debilitado o poder real, os Merovíngios acabaram por cair, derrubados pelos Pepínidas da Austrásia através da ação de Pepino, "o Breve", que derrotou Childerico III, em 751, e se tornou o primeiro rei carolíngio, com o apoio papal.
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