Metabolismo
Grupo e movimento artístico no campo arquitetónico, o Metabolismo surgiu nos inícios da década de 60, sob influência de um dos mais destacados arquitetos japoneses do pós-guerra, Kenzo Tange e do seu colaborador Takashi Asada. Entre os seus membros fundadores contavam-se Kiyoni Kikutake (1931), Kisho Kurokawa e o crítico de arquitetura Noboru Kawazoe. Mais tarde associaram-se ao grupo os arquitetos Masato Otaka e Fumihiko Maki (1928).
A referência conceptual deste grupo foi o pioneiro projeto urbanístico de Kenzo Tange para a Baía de Tóquio em 1960, que procurava solucionar alguns dos problemas do sobrepovoamento japonês e da necessidade de incrementar a mobilidade.
Os seus trabalhos apontam para a grande dimensão e assumem uma vocação acentuadamente estrutural, eliminando em grande parte a experimentação estilística ou linguística. Os metabolistas acreditavam no crescimento constante e nas inovações tecnológicas, procurando, mais que resolver situações imediatas, preconizar um caminho possível para a cultura arquitetónica. Eliminavam a abordagem social ou realista, numa simplificação dos campos de análise do projeto. O próprio tecido urbano e a organização tradicional do território eram neutralizados e absorvidos pelas megaestruturas funcionalistas. Tornaram-se famosas as suas visões utópicas e premonitórias, dignas de um filme de ficção científica, de Kiyonari Kikutake que colocava sobre o mar enormes contentores cilíndricos nos quais se implantavam células habitacionais pré-fabricadas ou de Kisho Kurokawa no projeto da Cidade Hélice de 1961.
O impacto deste movimento na cultura arquitetónica viu-se comprometido com a dificuldade de concretização prática dos projetos. Constituem exceção a Casa do Chá de Kikutake de 1958, os arranha-céus de Watanabe e a torre de habitações para solteiros de Kurokawa (1972) em Tóquio, em solução de colagem sobre uma estrutura central, de invólucros que dava aos espaços vivenciais a forma de cápsulas mínimas estandardizadas.
O último trabalho realizado pelo Grupo foi o do concurso para o projeto de um conjunto de residências no Peru. No final dos anos 60 surge no Japão um movimento que se opõe ao metabolismo considerando a necessidade de recuperar as referências tradicionais e históricas da cultura arquitetónica e de confrontar o projeto com a envolvente urbana ou o contexto. Esta corrente, de ascendência neo-racionalista, ficaria conhecida sob o nome de Nouvelle Vague e seria protagonizada por Arata Isozaki, por Tadao Ando e por Toyo Ito, os expoentes da mais jovem geração arquitetos.
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