Meyer Fortes
Meyer Fortes, nascido a 25 de abril de 1906, em Britstown, Cape Provence (África do Sul), estudou e doutorou-se em Psicologia antes de optar pela Antropologia Social. Sob a influência direta de Radcliffe Brown, Bronislaw Malinowski, E. Evans-Pritchard, Isaac Schapera e Raymond Firth, na London School of Economics, Fortes decidiu dedicar especial atenção às instituições sociais, nomeadamente à ligação entre dimensões domésticas e políticas das sociedades ditas primitivas. Para tal, levou a cabo um trabalho de campo na África Ocidental entre os Tallensi e os Ashanti, na sequência do qual surgiriam as monografias The Dynamics of Clanship Among the Tallensi (1945) e The Web of Kinship among the Tallensi (1949). Estas obras, que se tornariam clássicos da antropologia, abordam o sistema político destas sociedades, demonstrando a importância do papel desempenhado pelos sistemas de parentesco.
Em 1946, Fortes foi nomeado Leitor de Antropologia da Universidade de Oxford e, em 1950, Professor de Antropologia na Universidade de Cambridge (cargo que ocuparia até 1973). No final da década de cinquenta, o interesse de Fortes pela psicologia e psicanálise seria por ele recuperado, exercendo enorme influência sobre a obra Oedipus and Job in West African Religion (1959), em que Fortes analisa mais uma vez a sociedade Tallensi, desta feita debruçando-se sobre as suas instituições e crenças religiosas.
São extremamente vastas e importantes as contribuições de Fortes para o desenvolvimento da antropologia, nomeadamente da antropologia britânica. Antes de mais, deve-se referir a sua rica herança etnográfica, particularmente no que toca à Africa Ocidental. Igualmente de realçar são as contribuições teórico-metodológicas deste antropólogo inglês, que insistiu sempre na importância decisiva da interação constante entre teoria e pesquisa, observação e análise, na prática antropológica. Seguidor de uma tradição estrutural-funcionalista na antropologia, Fortes soube acrescentar-lhe a sua própria perspetiva pessoal, percorrida largamente pelo seu interesse pela psicologia e pela psicanálise. Deve também salientar-se que a obra African Political Systems (1940), que editou conjuntamente com E. Evans-Pritchard, é considerada um marco fundamental na Antropologia Social, já que forneceu, durante dezenas de anos, alguns dos principais instrumentos conceptuais aos investigadores desta área. Finalmente, a atividade como professor, nomeadamente na Universidade de Cambridge, foi também decisiva para que Meyer Fortes seja hoje considerado um dos mais reputados nomes da história da Antropologia Social.
Outras obras fundamentais de Fortes:
1968, Kinship and the Social Order: The Legacy of Lewis Henry Morgan
1970, Time and Social Structure and Other Essays
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