Michael Haneke

Realizador alemão, Michael Haneke nasceu a 23 de março de 1942, em Munique, mas cresceu numa pequena cidade austríaca.
Estudou Psicologia, Filosofia e Teatro na Universidade de Viena e escreveu críticas de cinema e de literatura. Trabalhou durante três anos como editor e dramaturgo numa estação de televisão alemã. Começou por trabalhar em 1974 na realização de programas e séries de televisão e, em 1989, estreia-se no cinema na realização de Der Siebente Kontinent, um filme sobre uma família que leva uma vida monótona e que sofre de solidão e isolamento. O filme termina com o suicídio familiar. É considerado o primeiro filme da "trilogia sobre a alienação".
O seu filme seguinte chocou o público: Benny's Video (1992), um retrato impressionante sobre a violência, conta a história de um adolescente que passa os dias a ver vídeos de violência e um dia mata uma jovem "para ver como é". Realiza depois 71 Fragmente einer Chronologie des Zufalls, o último da referida trilogia. O filme começa com um jovem universitário que mata várias pessoas e depois suicida-se. Passa depois 71 fragmentos em flashback dos acontecimentos que antecederam esse massacre. Com este filme, Haneke inicia a transição para uma realização mais aberta ao exterior e transforma-se num realizador notado.
Em 1997, faz Funny Games (Brincadeiras Perigosas), mais uma vez um filme sobre a violência e o voyeurismo, sobre uma família que vai de férias para a sua casa de campo e vê-se refém e aterrorizada por dois homens psicóticos que os acabam por matar simplesmente por prazer. Foi nomeado para a Palma de Ouro do Festival de Cannes e ganhou o prémio da crítica do Fantasporto. É o seu primeiro filme a ter sucesso comercial.
O seu filme seguinte foi Code Inconnu: Récit incomplet de divers voyages (Código Desconhecido, 2000), o seu primeiro filme francês, protagonizado por Juliette Binoche no papel de uma atriz; um filme que relata várias questões fulcrais da nossa sociedade, como a violência quotidiana, a imigração clandestina e a incomunicabilidade na vivência social. O filme recebeu a nomeação para a Palma de Ouro do Festival de Cannes e Haneke ganhou o prémio especial do Júri.
Em 2001, realiza La Pianiste (A Pianista), baseado no romance de Elfriede Jelinek, com Isabelle Huppert e Benoit Magimel nos principais papéis. Torna-se o seu grande sucesso comercial até à data, valendo-lhe três prémios no Festival de Cannes, incluindo o Grande Prémio do Júri, e várias nomeações para outros prémios.
O seu filme seguinte foi Le Temps du Loup (O Tempo do Lobo, 2003), um filme que começa por ser um drama familiar mas que rapidamente se estende ao drama coletivo. Passa-se num contexto pós-apocalíptico e levanta questões perturbantes sobre o ser humano em situações de privação e de sobrevivência.
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