Michel de Montaigne

Cortesão e ensaísta francês, Michel Eyquem de Montaigne nasceu a 28 de fevereiro de 1533, no Château de Montaigne, pertença da sua família por aquisição, perto de Bordéus. O pai era um advogado de ideias progressistas e que havia combatido em Itália, e a mãe uma judia espanhola convertida ao protestantismo. Em conformidade com as conceções que o pai mantinha acerca da educação, foi enviado enquanto recém-nascido para casa de gente humilde, para que se pudesse recordar para toda a vida dessa qualidade.
Estudou no Colégio de Guyenne de Bordéus, fazendo estudos superiores de Direito também em Bordéus e em Toulouse, tornando-se depois conselheiro na Court des Aides de Périgueaux. Em 1557 foi nomeado conselheiro do Parlamento de Bordéus, e em 1561 seria cortesão junto de Carlos IX. A morte de um amigo, Etienne de la Boëtie, com apenas trinta e dois anos de idade, causou-lhe tamanho desgosto que se viu forçado a afastar da corte, em 1563.
Casando em 1565, viu morrerem-lhe quatro filhos quase à nascença, restando-lhe apenas uma filha. Retirou-se com a sua família para o castelo senhorial da família em 1570, ano da morte da sua mãe, apenas dois anos depois da do próprio pai. Aí completou os primeiros dois volumes dos seus Essais (Ensaios), que publicou em 1580. O termo 'Ensaios' seria cunhado pelo autor para designar o estilo literário a que se dedicou, ao anotar pensamentos, memórias, opiniões e incidentes da sua vida quotidiana. Com a deflagração da Guerra Civil de França, recusou-se a tomar medidas para a defesa da sua propriedade, dando licença aos seus soldados e escancarando as portas do seu castelo. Montaigne pensava que nada encorajava tanto o uso das armas com a sua presença.
Sofrendo de pedra nos rins, aproveitou a ocasião para viajar em busca de águas termais, percorrendo a Lorena, a Alsácia e a Baviera, e chegando a Itália através de Veneza. Encontrava-se há algum tempo em Roma quando recebeu a notícia de que havia sido nomeado governador de Bordéus, em 1581.
Montaigne desempenhava o seu segundo mandato como governador, um surto de peste bubónica irrompeu em Bordéus, numa altura em que se encontrava fora da cidade. Pouco se importando com a população, ou com o facto de lhe poderem chamar de cobarde, recusou-se a entrar na cidade, deixando aos seus subalternos a tarefa de a dirigir nesses momentos de crise.
Em 1588 foi feito prisioneiro pelos membros da Liga Protestante, mas libertado da Bastilha ao fim de algumas horas. Católico moderado, manteve-se fiel a Henrique III durante algum tempo, até se aperceber da inevitabilidade da vitória do primo, o futuro Henrique IV.
Retirando-se nesse mesmo ano para o Castelo de Montaigne, publicaria uma edição aumentada dos seus Essais. Aí faleceu, vítima de uma infeção na garganta, a 13 de setembro de 1592.
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