Miguel Cerulário

Líder religioso do Império Bizantino. Cerulário foi patriarca de Constantinopla entre 1043 e 1058, e ficou conhecido por ter consumado o Cisma do Oriente, um acontecimento que marcou a rutura entre a Igreja Grega e a Igreja Romana. No final da sua atividade como chefe máximo da Igreja Bizantina (1057) envolveu-se na sucessão do trono bizantino; é, em grande parte, graças à sua ação que Alexandre Comnene (ou Comnenos) ascende ao trono. No entanto, as suas megalómanas ambições enfadaram o príncipe, que o destituiu. Miguel Cerulário veio depois a falecer no exílio.
Este patriarca era um grande senhor feudal apoiado por uma corte constituída de parentes e protegidos e apostado na luta contra a cidade de Roma e os latinos. Contestava sobretudo a autoridade do Papa. A determinação de Miguel Cerulário levou-o a dirigir, inclusivamente, uma campanha contestatária, usando panfletos para protestar contra a hegemonia do pontificado romano.
O cardeal Humberto, legado do Papa Leão IX, agravou este conflito latente. Em Santa Sofia, perante as grandes dignidades civis e religiosas bizantinas, o cardeal leu uma arenga extremamente violenta e crítica após a qual depositou sobre o altar da basílica o documento que o levara à capital do império: uma bula de excomunhão do patriarca de Constantinopla. O imperador Constantino Monomaque tentou resolver o conflito. Todavia, não conseguiu conter o descontentamento dos gregos, permitindo que Cerulário reunisse o Sínodo, durante o qual queimou a bula e excomungou os latinos. Corria o ano de 1054. Com este ato, o patriarca de Bizâncio determinava a cisão das duas igrejas.
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