Millet

Pintor francês, Jean François Millet nasceu em 1814, em Gruchy, próximo de Gréville, no seio de uma família camponesa. Efetuou os seus primeiros estudos em Cherbourg, instalando-se posteriormente em Paris, onde foi discípulo do pintor Paul Deroche.
Os seus trabalhos iniciais, que denunciam uma inspiração direta no estilo dos pintores franceses François Boucher e Antoine Watteau, traduzem a grande influência exercida pela gramática rococó na pintura da primeira metade do século XIX.
Na década de 40, sob influência dos pintores Honoré Daumier e Courbet, Millet realizou um conjunto de pinturas que abordavam temáticas ligadas à paisagem, cruzadas com certa atenção pelos conteúdos sociais e humanos presentes no território rural. Este interesse pelos valores sociais e políticos levou a que, em 1848, se juntasse às lutas do Quartier Rochechouart. No entanto, a necessidade de reencontro de um clima de calma para poder desenvolver a atividade pictórica assim como a necessidade de se confrontar diretamente com um meio rural, não contaminado e puro, levou-o à floresta de Fontainebleau, instalando-se em Barbizon, uma pequena povoação próxima dessa floresta. Aí integrou o grupo de artistas que formam a denominada Escola de Barbizon, formada, entre outros, pelos os pintores Charles Jacques e Théodore Rousseau.
Um dos primeiros quadros que Millet pintou em Barbizon foi "O Semeador", datado de 1850, uma tela que sintetiza grande parte das preocupações estéticas e culturais de Millet e constituiu o precursor do conjunto pictórico de temática paisagística e de cenas da vida rural, lida a partir de um posicionamento crítico de análise social, que caracterizarão a sua obra futura. Na tela, procurando mostrar o homem simples, o pintor representou uma figura grandiosa de intensa dignidade, contra a vastidão do campo. Esta solução compositiva que procurava o contraste entre figuras monumentais em grande plano com um fundo imenso surge em muitas outras obras de Millet, tais como "As Respigadeiras", de 1857. O quadro apresenta de forma flagrantemente realista três camponesas recolhendo os restos da colheita, envoltas numa atmosfera dourada. Aqui a vida rural assumiu uma rara nobreza na síntese perfeita entre cultura e ordem natural.
Para além da pintura, Millet abordou outras expressões pictóricas como o desenho, notáveis pela qualidade compositiva e pela simplificação e monumentalização das formas.
François Millet morreu em Barbizon em 1875.
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