mimetismo

Diversas espécies animais cuja constituição parece ser desagradável ao paladar dos carnívoros possuem cores vivas, denominadas de aviso, que evitam ao predador uma confusão que seria desagradável para ele e mortal para o animal de sabor desagradável. Certas espécies sem qualquer grau de parentesco com os animais cuja carne desagrada aos carnívoros, mas cuja evolução se tem feito nos mesmos locais, imitam de uma forma notável essa coloração. Estas espécies miméticas constituem uma presa agradável para o predador, mas são protegidas pela semelhança com as que lhe são repugnantes. Este tipo de mimetismo é designado por mimetismo batesiano, do nome H. W. Bates, que o descobriu.
Fritz Müller, que trabalhou na América do Sul pouco tempo depois de Bates, observou um fenómeno semelhante entre várias espécies igualmente repugnantes para os predadores. Estas semelhanças são designadas por mimetismo mulleriano. Os dois tipos de mimetismo são resultado da seleção natural. Os carnívoros têm de distinguir, através de algumas experiências desagradáveis, que essas cores caracterizam animais que não são bons para comer. Deixam então de os atacar. Algumas espécies, muito apetecíveis para os predadores, adquirem o aspeto de outras espécies nocivas ou desagradáveis para o predador que aprende com a experiência a não atacar qualquer delas.
O mimetismo batesiano só é eficaz se os animais miméticos forem menos numerosos que os modelos, pois, caso contrário, os predadores encontrariam tantos miméticos comestíveis que as cores já não seriam impeditivas para os predadores se alimentarem deles.
Provas adquiridas através de cruzamentos entre formas miméticas e não miméticas demonstraram que as adaptações têm uma base genética e são controladas por dois grupos de genes que se segregam independentemente.
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