Miranda Justo

Pintor autodidata português nascido em 1951, em Lisboa. Licenciou-se na Faculdade de Letras de Lisboa onde se tornou docente. A sua pintura começou a notabilizar se dentro das conceções abstratas. Algumas das suas investigações consideram a relação de áreas determinadas com linhas paralelas aos bordos do suporte. As áreas assim demarcadas adquirem maior ou menor presença, mais dinâmica ou mais passiva, de acordo com a posição: central, lateral, fechada, aberta. As áreas não se comportam como jogo de figura-fundo, nenhuma delas fica em plano secundário, devido à modificação brusca do estatuto de presença de cada uma delas. Assim, se alguns quadros apresentam uma área retangular em diversas posições, dentro de determinada série, quanto mais esse retângulo tender a individualizar-se como figura, mais a espessura de tinta obriga a considerar o suporte. Essa espessura é salientada com gesso, com rugosidades reais, monocromática, geralmente o branco. No resto do quadro surge uma textura informal onde se sobrepõem tintas diluídas. O branco está presente nas tintas espessas e adivinha-se como luz nas tintas diluídas, tornando-se conceptualmente omnipresente.
A elementaridade da estrutura linear e do jogo tactilidade-visualidade da superfície coberta de tinta permite relacionar a distinção de matérias com a divisão das áreas. Confrontam-se modos diversos de negação e reafirmação do plano do suporte através das texturas. Além da sua atividade como pintor e professor, Miranda Justo publicou diversos ensaios sobre literatura e arte.
Como referenciar: Miranda Justo in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-08-21 03:32:30]. Disponível na Internet: